Prece

Eu peço, de joelhos e mãos no rosto eu imploro, pra que desça dos céus um Juiz. Um Juiz severo mas justo, onisciente, que assista à minha vida, minha mente, meu coração, e com seu martelo defina, de uma vez por todas, se sou uma pessoa boa ou ruim.
Quero que analize, meça, faça tabelas, gráficos e enxergue estatísticas. Objetivo. Sem emoção. Apenas o certo e o errado em uma balança celestialmente regulada.
E o que for dito será feito.
Se sou boa, mas erro; continuo, sigo a vida como todos aqueles que a merecem, evoluindo.
Se sou uma pessoa ruim, daquelas que não tem solução, daquelas que transformam todos em juízes inflexíveis, então eu desisto. Mas não da vida, apenas do sofrimento que vem com a evolução. A morte é uma benção tranquila da qual desfrutam os bem aventurados.
Desisto de tudo, nada mais me importará. O respeito que não tenho, não tentarei ganhar. A compaixão que não recebo, não mais terei por outros. O amor que não me dão, não cultivarei em ninguém. Serei ruim, quebrada, sem jeito, rude, repugnante, infeliz.
E viverei o resto de meus dias vagando nas sombras, livre de expectativas alheias, livre de sentimentos não correspondidos, da morte em vida ao ouvir "eu não te amo".
Mas se eu puder pedir o impossível, peço aos céus que ele me ame.
