Competência Intercultural, você vai precisar dela!

Para ser parte de um time não basta ser convocado a participar dele. É preciso ter três competências: 1) ser capaz de colaborar em ambientes virtuais, 2) ter competência intercultural e 3) ter inteligência social.

Já discutimos aqui sobre colaboração virtual. Neste post o assunto é a competência intercultural.

Nós vivemos em um ambiente que favorece processos seletivos standard: pessoas vindas de escolas de renome, com uma carreira feita em cima de um único assunto, idade ideal, e que o indivíduo aparente estar dentro das normas culturais da empresa (sem tatuagens, por exemplo).

Pois bem, o Facebook e o Google afirmam buscar competências e reputação em seus novos contratados, e que não se interessam por MBAs ou títulos de escolas famosas. Querem saber o que você é capaz de entregar e só! Há anos as empresas estrangeiras contratam e permitem que seus colaboradores morem em cidades distantes do escritório central! Aqui ainda impera o cumprir horário…Mais e mais, as empresas entendem que os “cabelos brancos” e pessoas de diversas nacionalidades tem muito a agregar, porém, quando falamos a idade, muitas vezes perdemos uma oportunidade!

Ao que tudo indica, está na hora de mudar! O Professor Scott E. Page, diretor do Centro de Estudos de Sistemas Complexos na Universidade de Michigan, demonstrou que grupos cujos membros traziam diferentes perspectivas tiveram resultados superiores a grupos homogêneos. Esses grupos eram formados por pessoas de diferentes idades, gêneros, provenientes de diferentes profissões, com diversos níveis de habilidades técnicas, e foram capazes de ser mais criativos nas soluções de problemas complexos. Ainda assim, os processos seletivos tolhem a diferença na grande maioria das vezes!

Em 2018, há um número significativo de softwares de colaboração e comunicação disponíveis. Isso permite que trabalhadores ao redor do mundo façam parte de times. Se considerarmos a rapidez com que softwares de tradução de voz e texto estão evoluindo, mais barreiras para a integração de times internacionais irão cair. Porém, essas mesmas tecnologias também ajudam indivíduos na sua educação, pois permitem que cada um possa agregar professores, mentores, tutores provenientes de diferentes geografias, cultural e ambientes sociais.

Isso leva a crer que, ao longo do tempo iremos perceber que o fluxo de informação e acesso global a talentos modificará a experiência trabalho. O resultado será a mudanças na dinâmica e estilo de trabalho dos times, uma vez que as interações com pessoas de diversas culturas, origens e estágios de vida, níveis de engajamento e perspectivas, influenciarão ambiente de trabalho e até a competitividade de indivíduos por essa posição (falaremos sobre isso em outra ocasião).

Para a área de Recursos Humanos a capacidade de gerenciar diversas culturas e aceitar diversidade em novos níveis será fundamental. Para quem trabalha em times repletos de diferenças, saber identificar pontos de conexão, objetivos comuns, prioridades e valores, ajudará a criar relacionamentos e processos eficientes de trabalho.

Definições

A Competência Intercultural é a habilidade de entender e comunicar, engajar e trabalhar com pessoas de contextos culturais diferentes.

Os componentes de uma troca intercultural são:

1) Grau de conhecimento da outra cultura e suas nuances

2) O aspecto afetivo ou os aspectos emocionais dessas diferenças culturais

3) O lado psicomotor ou a capacidade de se comunicar verbalmente e não verbalmente com a outra cultura

4) O componente situacional ou o lugar onde essa comunicação ocorre.

Estudos demonstram que estar exposto a outra cultura não significa que a pessoa irá adquirir competências interculturais, por isso estudiosos nesses campo afirmam que é preciso treinar os times para adquirir esses componentes mencionados.

O termo comunicação intercultural refere-se à comunicação ente indivíduos de nacionalidades diferentes. Pesquisadores definem cultura como um Sistema de valores, normas e símbolos aprendidos e afirmam que ao fazer parte de um grupo, aceitamos essas crenças. Por outro lado, diversidade refere-se a diferenças no sistema de crenças, formas de processar informações, características físicas, pessoas e também de nacionalidade. Nessa diversidade existem grupos menores que se identificam por gênero, orientação sexual, religião ou ideologia política.

Desenvolver a competência intercultural significa saber identificar que há diversas formas de ver o mundo sem negar o que temos em comum. Por isso, precisamos entender que as diferenças existem e que precisamos trabalhar para criar um ponto comum para poder nos comunicar e criar experiências de trabalho positivas.

Como Desenvolver Essa Habilidade

Treinamentos voltados para o aprendizado experiencial podem ajudar a desenvolver a competência intercultural. Esse treinamento encoraja a empatia, respeito, paciência, tolerância e curiosidade. Mas saber se expressar corretamente em situações interculturais requer a capacidade de interpretar a situação adequadamente.

As ferramentas de trabalho das pesquisas etnográficas podem ajudar muito nesse processo, ajudando no aumento da sensibilidade ao outro indivíduo, levando a perceber que estereótipos não favorecem o diálogo e que saber normas e convenções culturais não bastam.

Para conhecer nossos treinamentos em Competências Interculturais, envie um email para hello@mirante.me.