Ela

Já passa da meia noite e do meu horário de dormir. Mais um gole de café, que a essa altura já está frio, entre um suspiro triste estou por desistir de tentar escrever sobre ela.

Escreve-la, pensei eu, seria a melhor maneira de ocupar meu tempo, já que, covardemente, não a chamei pra sair, ou sequer mandei uma mensagem pra saber como estava. Sim eu fui covarde, e talvez um pouco orgulhoso.Mais uma vez, prefiro ficar aqui no terraço da minha casa, olhando o céu e imaginando o brilho dos olhos dela, que combinam perfeitamente com essa noite. Posso até ver o sorriso que me daria se pudesse ler isso agora, seus olhos brilhariam, complementando o sorriso, e eu sentiria algo pulsar dentro de mim, junto com o desejo por seus lábios.

Me perdoe por estar sendo tão clichê, mas a madrugada exige isso de mim, e afinal, caso um dia ela chegue a ler esse meu texto, sei que adoraria.

O clima está esfriando, sinto meus dedos congelarem, o que me faz recordar o toque de suas mãos, que apesar de frias, tinham o poder de incendiar onde quer que tocassem. Me dou conta que escrevo no passado, é como se não a tivesse mais comigo, provavelmente ache que, por ser tão ela, tenha que me acostumar logo cedo ao fato de que de minha, ela não tem nada.

— Claro que não amor, eu sempre estarei aqui. - ela falaria em tom de indignação e logo em seguida me abraçaria.

E aqui estou eu, sonhando com seu abraço, enquanto deveria estar me preparando pra mais um dia de aula. Aqui estou, tentando encontrar palavras pra descreve-la sabendo que de palavras não vou precisar quando pegar a prova de geometria amanhã. Mas cara, de que vale saber calcular o volume de um sólido sem ela pra quantificar todo meu esforço?

Só mais cinco minutos, digo a mim mesmo, cinco minutos pra sonhar com ela. Por que sei que, mesmo que passe madrugadas inteiras nesse terraço, nunca encontrarei uma forma de conta-la pra você. Fica por sua conta, mas só pra te ajudar, ela é como uma dessas estrelas cadentes, não a mais brilhante, porém a que me trouxe um novo desejo.