O fim de nós (você)

Acho que estou te 
esquecendo.

Que alívio meu peito sente ao falar isso, ainda não sei ao certo pra quem a mensagem é mesmo direcionada, talvez a nós duas.

E te esquecer não é tão assustador quanto eu pensava, e muito menos leva por completo parte de mim. É evidente que alguma coisa minha se partiu e foi contigo, ou ficou jogada no chão aos nossos pés, e jamais voltará a me completar. E eu não quero isso, não quero mais esse meu pedaço que você levou, nem quero mais esperar por sua volta ou suas palavras.

Isso não significa que eu não gostaria que elas viessem, como amante de palavras e ex amante de você, iria me deleitar em cada vírgula e no ponto final.
Devo estar fazendo algo parecido a isso agora, podendo saborear nosso fim.

Tudo isso ocorreu graças a todos os momentos que me despejei sobre nossas lembranças, ansiei teu olhar e a calmaria que ele sempre me trouxe.

Mas hoje entendo que ele se foi, junto com você. Que ele é frio e nunca mais poderá esquentar a droga de noite gelada que esse clima louco, como você, vem fazendo.

Tô te deixando ir, mas não por você, por mim. Não é você de fato quem vai, porque você já foi. É seu fantasma que hoje foi liberto, acho que juntei coragem e destranquei a porta. Ele foi se desprendendo aos poucos, e eu deixando um pouco de você em cada canto que um dia foi nosso.

É uma pena eu não me inspirar mais no nosso passado pra escrever sobre você, é uma pena não mais te eternizar em tantas dessas minhas linhas sem rumo. Mas nós sabíamos que iria acontecer mais cedo ou mais tarde. E felizmente, estou me desprendendo de você.

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