Anseio

Respira fundo. Segura. 1… 2... 3... Solta. Respira. Solta esse ar e acalma. É só mais um dia. Levanta da cama e respira. Mais devagar... Isso, agora é só lavar o rosto e encarar o dia. É só mais um dia e ele vai acabar como todos os outros. Conte até três e continua.


Sabe aquela sensação de ficar sem ar, que seu nariz parece fechar, dá aquele nó na garganta e sua garganta, traqueia, faringe, laringe… tudo fecha?! Então, é assim que funciona minha ansiedade. Só de imaginar em levantar da cama e encarar a água no chuveiro já dá aquela tampada na garganta que ar nenhum passa. Depois vem a mesa do café que você precisa recusar, porque se comer de manhã, dá aquele leve refluxo da ansiedade e fica o dia com mal estar. Mas pra que ansiedade se minha vida é tão boa? E se ela ficar ruim?

Infelizmente na vida do ansioso tudo se resume com o “e se?”. E então queremos fazer tudo de uma vez. Ou tentar parar de ser ansioso e parar de fazer tudo, deitar na cama, encarar o teto e discutir sobre a nossa existência na terra. Acaba que nessas horas preciosas que colocamos todos os pensamentos em ordem e percebemos o quão ferrados somos e estamos. E principalmente, como somos substituíveis. E é o maior medo de um ansioso. Porquê se não for pra ser como uma lembrança, um personagem, uma história, pra marcar algum momento, fazer alguém feliz ou mudar alguma coisa, não tem motivo pra nossa existência. E aí entra de novo o ápice da ansiedade: E se eu levantar da cama e não ajudar ninguém e nem fazer nada de produtivo?

Pois querida ansiosa (no caso eu mesma), você já está ajudando alguém muitíssimo importante ao levantar da cama e encarando o dia: você mesma!


Obs.: Essa é uma carta para minha própria ansiedade que resolveu passar uns tempos me enforcando e sufocando.

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