COMUNICAÇÃO NA MODERNIDADE: O JORNALISMO E A PUBLICIDADE SOB A ÓTICA DO SÉCULO XIX

1. Contexto histórico do período analisado

1.1 SÉCULO XIX: EUROPA E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Em meados do século XVIII, a passagem da mão de obra humana para a mecânica, aumentando a produção e aumentando os lucros, principalmente na Inglaterra, caracteriza a chamada Revolução Industrial. Essa revolução ocasionou uma série de mudanças sociais e econômicas, como a indústria ser a principal atividade econômica e o aumento da urbanização. Além de surgir também à eletricidade e os combustíveis vindos do petróleo.

Com essas mudanças, o comercio se expandiu inclusive internacionalmente, aumentando, assim, a riqueza e o financiamento de pesquisas de novas tecnologias.

Sendo a mão de obra substituída pelas maquinas, houve também uma grande divisão de trabalho, o que fez com que aumentasse a produtividade. Com isso, o transporte de mercadorias também precisava ser melhorado com urgência e duas invenções foram de extrema importância: o navio a vapor, feito por Robert Fulton (1807), e a locomotiva a vapor, construída por George Stephenson (1814).

Com a Revolução Industrial, a burguesia consegue chegar ao poder e passa, assim, a conduzir a economia de toda a Europa. As casas burguesas já podiam contar, graças ao avanço da tecnologia, com iluminação e gás, tapetes, cortinas, luxo de todos os lados. O conforto que a revolução trouxe era imensurável.

Surge, então, uma divisão clara de classes. De um lado a burguesia, os empresários. Do outro o proletariado, os funcionários, os trabalhadores que vendem 14 horas de sua mão de obra a troco de um salário absurdamente baixo. Essas condições ruins de trabalho resultaram em conflitos entre empregados e empregadores. Após muitos desses conflitos, os trabalhadores conseguem o direito a um sindicato para obterem melhores condições de trabalho e em 1824, na Inglaterra, surgiram os primeiros centros de treinamento profissional.

Com os avanços na tecnologia, a medicina também sofreu mudanças. Houve mais prevenção e tratamento e consequentemente a mortalidade diminuiu e a população aumentou, aumentando também o número de trabalhadores para as indústrias.

Todo o progresso só foi possível quando o homem percebeu que poderia usar as forças da natureza para fazer o trabalho que ele mesmo estava fazendo.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que acontecia essa revolução, o mundo estava sofrendo importantes mudanças políticas, como a Declaração de Independência dos EUA (1776) e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789). O que fez com a o homem daquela época começasse a pensar de maneira mais revolucionária.

De fato, a revolução industrial não foi um episódio com um princípio e um fim. Não tem sentido perguntar quando se “completou”, pois sua essência foi a de que a mudança revolucionária se tornou norma deste então. Ela ainda prossegue; quando muito podemos perguntar quando as transformações econômicas chegaram longe o bastante para estabelecer uma economia substancialmente industrializada, capaz de produzir, em termos amplos, tudo que desejasse dentro dos limites das técnicas disponíveis, uma “economia industrial amadurecida” para usarmos o termo técnico (HOBSBAWM, 2015, p. 38).

No século XIX a revolução não foi à quebra ou a transgressão de uma ordem que já existia. A revolução foi à colocação e implantação de uma ordem nova que ultrapassa a ordem já existente. Dentro desse novo cenário, foi criada a necessidade de passar esse novo conceito a toda à população, abrindo espaço para reflexões sobre o novo comportamento da sociedade e, então, surgiram os jornais impressos.

Sendo assim, o século XIX não foi apenas o século da Revolução Industrial, mas foi também o século da Revolução Tecnológica. A informação vinda por meio dos jornais, por mais que fizesse parte apenas da elite, tornou muito mais fácil e rápida a comunicação.

Sabemos que desde o principio da humanidade, o homem tem a necessidade de se comunicar, por ser, naturalmente, um ser sociável. Nos primórdios, a comunicação era feita através de gestos e grunhidos, mas com a fala “cara a cara” foi que deu inicio a comunicação como conhecemos hoje.

Durante muito tempo, a escrita foi à única forma de comunicação existente, seja feita por cartas, bilhetes, livros e jornais. Essa forma de escrita evoluiu de maneira significante.

McLuhan tentou identificar os componentes que determinam as condições de equilíbrio e de continuação nas sociedades, nos impérios e nas civilizações. Via nas tecnologias usadas na comunicação os fatores desencadeadores do nascimento e consolidação do sistema social, assim como os marcos de dominação política. Imbuído dessa crença, percebia que a comunicação — entendida como o conjunto de relações e técnicas — estabelecia um marco determinante sobre as formas vigentes em cada época e em cada era. McLuhan acredita numa convicção profunda: as mídias definem o ambiente do homem e da sociedade, alterando todos os aspectos da vida (MCLUHAN apud. VICENTE, 2009, p. 23–24).

2. Características do gênero

2.1 JORNALISMO: O GÊNERO NO CONTEXTO EUROPEU DO SÉCULO XIX

Entende-se como jornalismo a produção e difusão de informações através de um meio de comunicação coletivo e periódico. Pereira (2004) aponta que o inicio desse processo possui uma inseparável ligação com dois outros, o da escrita e da imprensa. O autor considera que foi a parir da escrita que a informação pôde ser difundida além dos limites impostos pelo tempo e pelo espaço. Pereira ainda cita que, com a chegada da tipografia, essa capacidade de difundir mensagens foi expressivamente ampliada, proporcionando um número maior de reprodução em um período menor.

Acerca do princípio desse gênero, Pena (2006) aponta que, não existe um determinado consenso no que diz respeito à origem do jornalismo. Na concepção de vários pesquisadores, o jornalismo se inicia junto com a primeira comunicação humana. Porém, outros pesquisadores consideram o inicio do mesmo muito mais tarde, entre os séculos XVIII E XIX, quando suas características modernas já podem ser identificadas, como, por exemplo, a periodicidade, atualidade, universalidade e publicidade. Considerando que a natureza do jornalismo está no medo, Pena afirma que o temor diante do que é desconhecido, induz o indivíduo a querer exatamente o contrário, ou seja, conhecer.

O jornalismo como conhecemos hoje na sociedade democrática tem suas raízes no século XIX. Foi durante o século XIX que se verificou o desenvolvimento do primeiro mass media, a imprensa. A vertiginosa expansão dos jornais no século XIX permitiu a criação de novos empregos neles; um número crescente de pessoas dedica-se integralmente a uma atividade que, durante as décadas do século XIX, ganhou um novo objetivo — fornecer informação e não propaganda (TRAQUINA, 2005, p. 34).

Diante das transformações que aconteciam na comunicação, o cenário e no contexto Europeu também se modificava. É importante destacar que, no período da Revolução Industrial o processo de alfabetização se tornou intenso, formando um novo contingente de público leitor, menos elitizado, e, também, com um grau de instrução menor.

Marshall (2003) menciona que para atrair esse tipo de leitor, os jornais investiram na profissionalização do sensacionalismo, abordando a notícia como entretenimento, sem perder o compromisso com a atualidade, o fluxo e certa neutralidade, ainda que de fosse de forma aparente.

Nesse sentido, Pereira (2004) explica que no ultimo quarto do século XIX, a imprensa já se estabelece como pleno negócio. A produção jornalística necessita buscar uma forma de se auto-sustentar e aumentar a margem de lucro. A solução encontrada foi associar a publicidade ao produto informativo, ocasionando um suporte misto, pelo qual a produção e a circulação de notícias são financiadas em grande parte pelos anunciantes.

A autora menciona que a adoção do suporte misto, junto com a linha sensacionalista em vigor, ocasionou a origem de uma imprensa barata, acessível a todo o público.

O que vai diferenciar um jornal dito “sensacionalista” de outro dito “sério” é somente o grau. Sensacionalismo é apenas o grau mais radical de mercantilização da informação: tudo o que se vende é aparência e, na verdade, vende-se aquilo que a informação interna não irá desenvolver melhor do que a manchete (MARCONDES, 1989, p. 66).

2.2 MARCAS DO SÉCULO XIX: O JORNALISMO E SUAS CARACTERÍSTICAS

Marcondes Filho (2001) cita algumas características de dois períodos intitulados por ele como, primeiro jornalismo e segundo jornalismo. O primeiro jornalismo, na concepção do autor supracitado, corresponde do ano de 1789 a 1830, e se caracteriza pelo conteúdo literário e político, com texto crítico, economia deficitária, e quem o comandava era escritores, políticos e intelectuais. O segundo jornalismo, datado de 1830 até 1900, era chamado de imprensa de massa, marcando o início da profissionalização dos jornalistas, a criação de reportagens e manchetes, e, também, o uso da publicidade e a consolidação da economia de empresa.

A influência da literatura na imprensa está mais presente nos chamados primeiro e segundo jornalismos. Estamos falando justamente dos séculos XVIII E XIX, quando escritores de prestígio tomaram conta dos jornais e descobriram a força do novo espaço público. Não só comandando as redações, mas, principalmente, determinando a linguagem e o conteúdo dos jornais. E um de seus principais instrumentos foi o folhetim, um estilo discursivo que é marca fundamental da confluência entre jornalismo e literatura (PENA, 2006, p. 5).

Contudo, nas décadas de 1830 e 1840, houve a eclosão de um jornalismo popular, principalmente na França e na Grã-Bretanha, modificando o conceito, ligando-o a nova lógica capitalista. Pena (2006) menciona que publicar narrativas literárias nos jornais possibilitava um aumento significativo nas vendas, proporcionando uma diminuição nos preços, aumentando o número de leitores e assim por diante.

Foram diversas as transformações incididas no jornalismo, sendo possível observar diante disso, o reconhecimento do gênero como profissão, sua estruturação e regulamentação. Mas, também, sua disputa pelo público, e uma dependência que passa a ser não apenas política, mas, econômica.

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