Dançando para não dançar: A transformação através da dança

É notório que a procura por aulas e cursos de todas as modalidades de dança vêm aumentado muito no Brasil, isso graças à grande exposição que a dança tem tido pela mídia e afins. Programas de TV em rede nacional fazem concursos de dança, incentivando assim, telespectadores do país todo a fazerem o mesmo, além de despertar o interesse de uma grande parte da população de todas as idades.

Segundo dados do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), 35,5% dos municípios brasileiros declararam ter festivais/mostras de dança. Santa Catarina e Acre apresentaram os maiores porcentuais de municípios com os eventos, respectivamente. 34,8% dos municípios brasileiros têm concursos de dança. Nos Estados de Roraima e Acre, mais de 60% dos municípios declararam realizar os eventos. 56,1% dos municípios brasileiros têm grupos artísticos de dança. 30,8% dos municípios brasileiros afirmaram ter escolas/oficinas/cursos de dança. Santa Catarina e Rio de Janeiro apresentaram os melhores porcentuais de distribuição, respectivamente. Poucos são os estados que possuem cursos de graduação em Dança. São Paulo possui a maior quantidade de registros. O IPHAN é um Órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro.

Em Maringá, norte do Paraná, a dança além de trazer e divulgar a cultura nacional e internacional tem servido também para tirar pessoas das ruas da cidade e ocupando seu tempo com aulas de dança. A Associação Cultural Espaço Nelson Verri, que funciona em Maringá desde 1º de Maio de 2005, oferece várias modalidades de dança para a população maringaense, totalmente sem custo.

A coordenadora e uma das fundadoras do Espaço, Luciana M. Verri (45), conta que o Espaço atende a aproximadamente mil pessoas por mês, oferendo diversas atividades culturais, mas a maior procura é pela dança. “Desde que abrimos as portas, a maior procura da população sempre foi pelas aulas de dança. E a coisa ficou tão séria que já participamos de vários concursos, festivais de dança a nível, inclusive, internacional”, conta Luciana, que vive de perto os benefícios que a dança traz, pois ela também faz aulas de dança de salão com seu esposo! “Nós ainda estamos meio ‘enferrujados’, mas já saímos do ‘dois pra lá, dois pra cá’”, brinca Luciana.

Em 2006, a instituição foi declarada entidade de utilidade pública em Maringá. Além de não ter fins lucrativos, a entidade é mantida com doações de voluntários e empresários da cidade.

Vitória Verri (18) é supervisora e professora de artes no Espaço e diz que “além de oferecer aulas de Street Dance, Break, Jazz, Ballet, Dança Contemporânea, dança de salão, também oferece aulas de lutas, como Tae-kwon-do e Karatê e alguns esportes como Futsal. No começo a intenção era suprir as necessidades culturais da população mais carente da cidade, mas hoje conseguimos realizar muito mais que isso”. Vitória ainda conta que todo mês a entidade organiza algum evento ou festa para arrecadar fundos para a instituição, como festas juninas, festas a fantasia, jantares dançantes, torneios de futsal, bazares, etc. “Além de fazer com que a comunidade interaja entre si, arrecadamos fundos para continuar com o projeto e proporcionamos diversão pro pessoal”.

João Roberto Aragão Silva (23) é um dos jovens atendidos pela Instituição. Ele faz Street Dance desde que o Espaço abriu e conta como a entidade mudou a vida dele: “Quando eu tinha onze anos conheci o Espaço. Eu dançava para me distrair e comecei me apaixonar pela dança. Era como se eu não soubesse fazer mais nada na vida. Hoje sou reconhecido pelo meu talento, ganhei um premio no Teatro Guaíra em Curitiba, e nosso grupo ganhou a oportunidade de disputar um concurso de dança em Los Angeles, nos Estados Unidos. Isso nunca seria possível sem a dança”. João conta que quando começou a dançar, estava passando por uma fase muito difícil em sua vida pessoal, pois sua mãe havia morrido a pouco tempo, vítima de um câncer maligno. “Se não fosse pela dança, eu estaria numa situação muito pior agora, pois minha felicidade havia ido embora com minha mãe. Mas a dança me salvou. Hoje sou feliz graças a ela”.

João não foi o único a quem a dança salvou, Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 o número de Jovens e Adolescentes que saíram das ruas por causa de algum espaço cultural subiu em torno de 17% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além da dança ser uma forma de expressão cultural, ela age também como terapia, sendo usada como forma de atividade física e melhora a autoestima. “A dança é mesmo uma forma de terapia. E qualquer pessoa pode dançar, não existem restrições, nem mesmo de idade. Os passos podem e devem ser adaptações às limitações físicas de cada um, mas não existe impedimento. Basta saber ouvir a música e dançar para você, sempre com muita emoção, e sem se preocupar com os outros”, comenta o professor de dança Felipe Tada (33).

Todo ano, no mês de Outubro, o Espaço Nelson Verri realiza um festival de dança na cidade de Maringá, esse ano, o festival terá três dias de espetáculo totalmente gratuito para toda a população.

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