Fichamento do Livro “Comunicação: conceitos, fundamentos e história”. p. 1–17.

PERLES, João Batista. Comunicação: conceitos, fundamentos e história. P.1–17. www.bocc.ubi.pt

PALAVRAS-CHAVE: Linguagem, comunicação, tecnologia, história.

O artigo nos conta a história da linguagem e o avanço da comunicação. Como elas se entrelaçam e nos direciona desde os primórdios da humanidade até os dias atuais. A autora faz isso com base em textos de muitos autores de variadas décadas.

A autora nos traz também o avanço da tecnologia como suporte para a comunicação. Hoje, todos podem se comunicar através da internet. O problema é que esse excesso de informação também pode ser usado para algo que não seja exclusivamente informativo ou comunicativo e que possa causar algum mal a sociedade.

O texto traz informações importantes sobre como surgiu o jornal e o rádio, que foi um importante meio de comunicação, pois fez com que mesmo os que não sabiam ler, também pudessem se comunicar, ter acesso a informação.

A linguagem, a cultura e a tecnologia são elementos indissociáveis do processo de comunicação. Quanto à primeira, Tattersall (2006, p. 73) afirma categoricamente que “[…] se estamos procurando um único fator de liberação cultural que abriu caminho para a cognição simbólica, a invenção da linguagem é a candidata mais óbvia.” (p.1)

Baitello Júnior (1998,p.11) afima que: “Hoje o homem tenta lançar pontes (ainda que hipotéticas) não apenas sobre a origem do universo, sobre o chamado big bang, mas também sobre as raízes remotas dos códigos da comunicação humana. Constata que a capacidade comunicativa não é privilégio dos seres humanos; está presente e é bastante complexa em muitos outros momentos da vida animal, nas aves, nos peixes, nos mamíferos, nos insetos e muitos outros.” (p.2)

Teles (1973, p. 19) diz que: “Uma rocha se comunica, à medida que suas partículas nucleares se atraem ou se repelem na intimidade de sua estrutura atômica. Como se vê, comunicação implica movimento. Por convenção, chamou-se vida ao automovimento imanente. Sua extensão foi restrita ao campo biológico, plantas e animais, em função da imanência.” (p.3)

Na sociologia, Menezes (1973, p.147) propõe que o processo de comunicação poderia ser considerado como fundamento da vida social: “[…] Com efeito, num plano lógico de consideração dos fatos, o processo da comunicação humana poderia ser encarado como o fundamento da vida social e não o contrário, conquanto do ponto de vista da natureza ou da estrutura de tais fenômenos os dois se manifestam de forma nitidamente inseparáveis e, mais que isso, interdependente: […].” (p.3)

Sá (1973, p. 243) diz que: ”[…] A possibilidade da transmissão do conhecimento é assunto gnosiológico e é, também, assunto de comunicação.” (p.4)

Marques de Melo (idem, p.31), afirma: “Comunicação é o processo de transmissão e recuperação de informações”. (p.4)

“Entendemos como tecnologia qualquer mecanismo que possibilite ao homem executar suas tarefas fazendo uso de algo exterior ao seu corpo, ou seja, tudo aquilo que se caracteriza como extensão do organismo humano.” (PERLES, p.4)

“O uso de tecnologia pelo homem teve início não relacionado à comunicação, mas à sobrevivência.” (PERLES, p.4)

Segundo Bordenave (1982, p.24): “ Qualquer que seja o caso, o que a história mostra é que os homens encontraram a forma de associar um determinado som ou gesto a um certo objeto ou ação. Assim nasceram os signos, isto é, qualquer coisa que faz referência a outra coisa ou idéia, e a significação, que consiste no uso social dos signos.” (p.5)

“A invenção de uma certa quantidade de signos levou o homem a criar um processo de organização para combiná-los entre si, caso contrário, a utilização dos signos desordenadamente dificultaria a comunicação. Foi essa combinação que deu origem à linguagem.” (p.5)

Tattersall (idem, p. 72) nos faz recordar que “os humanos tinham um trato vocal capaz de produzir os sons de fala articulada mais de meio milhão de anos antes que surgisse evidência de linguagem.” É quase de domínio popular o fato de que o processo de comunicação visual surgiu muito antes da escrita. (p.5)

Santaella e Nöth (1998, p. 13), para quem a imagem faz parte da expressão humana “desde as pinturas pré-históricas” e “hoje, na idade do vídeo e infográfica, nossa vida cotidiana desde a publicidade televisiva no café da manhã até as últimas notícias no telejornal da meia-noite está permeada de mensagens visuais […]”. (p. 5–6)

“ Inicialmente o homem comunicava os acontecimentos na mesma ordem em que eles se davam, ou seja, um caçador descrevia sua rotina na mesma seqüência dos fatos.” (PERLES, p.6)

“Há cerca de 3.000 anos antes de Cristo, os egípcios representavam aspectos de sua cultura por meio de desenhos e gravuras colocados nas casas, edifícios e câmaras mortuárias. Os signos sonoros e visuais, como o tantã, o berrante, o gongo e os sinais de fumaça, foram os primeiros a serem utilizados pelo homem a fim de vencer a distância […] Mas somente com a invenção da escrita, por volta do século IV antes de Cristo, é que o homem encontrou uma solução mais definitiva para o problema do alcance, já que a mensagem escrita pode ser levada de um para outro lugar. Mais do que isso, a escrita inaugura o início da história […]” (PERLES, p.6)

” O homem descobriu que as palavras ou nomes de objetos eram compostos por unidades menores de som, descobrindo, portanto, os fonemas e, conseqüentemente, a possibilidade de representar os objetos e as coisas por meio destas unidades. Esta descoberta permitiu o surgimento da escrita chamada fonográfica, na qual os signos representam sons […]A possibilidade dos signos gráficos serem representados por unidades de sons menores que as palavras deu nascimento ao conceito de letras. Com elas, o homem formou os alfabetos […] Durante a Idade Média o povo não tinha acesso à linguagem escrita, que era restrita aos monges e às pessoas letradas […] O surgimento do papel, inventado pelos chineses, substituiu as superfícies de pedra, os papiros e os pergaminhos de couro, então utilizados para a escrita.” (PERLES, p.6)

“Entre 1438 e 1440, o alemão Johann Gensfleish Gutenberg aperfeiçoou os tipos móveis

criados pelos chineses que foram os primeiros a imprimir livros. O sistema de prensa tipográfica criado por Gutenberg, associado às possibilidades oferecidas pelo alfabeto romano, composto de pouquíssimas letras quando comparado aos inúmeros ideogramas chineses, não somente possibilitou a produção de livros em grande escala, como propiciou o surgimento do jornal.” (PERLES, p.7)

“O surgimento do sistema tipográfico gutenberguiano é considerado a origem da comunicação

de massas por constituir o primeiro método viável de disseminação de idéias e informações a partir de uma única fonte.” (PERLES, p.7)

Bacelar, (2002, p.2) descreve: “Cópias impressas das teses de Lutero foram rapidamente divulgadas e distribuídas, desencadeando as discussões que viriam iniciar a oposição à ideia do papel da Igreja como único guardião da verdade espiritual.” (p.7)

“A tecnologia mecânica de Gutenberg automatizou o sistema de produção de textos e antecipou-se ao que seria a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em 1750.” (PERLES, p.8)

Gontijo (idem, p. 285) assegura que: “De início, os jornais demonstravam ter alguma consciência de que parte da missão era educar o povo. No entanto, durante esse período turbulento, o que se viu foi uma disputa radical, que fez surgir estilos vigorosos e originais de redação jornalística, embora, muitas vezes, descambassem para acusações infundadas e ataques pessoais.” (p.8)

“Na esteira do desenvolvimento tecnológico surgiu o rádio. As transmissões eletromagnéticas

propiciaram primeiro a criação do telégrafo, que transmitia apenas código Morse. Em 1900 foi feita a primeira ligação radiotelegráfica de 300 km, entre Cornwall e a ilha de Wight, na Inglaterra.” (PERLES, p.8–9)

Grecco (2006, p. 77) afirma que “Há registros de que as primeiras experiências do padre Landell com transmissões de ondas portando a voz humana teriam ocorrido entre 1893 e 1894.”. (p.9)

“A primeira transmissão de música por meio do eletromagnetismo se deu na noite de Natal de 1906, na cidade de Brant Rock, Massachusetts, Estados Unidos, por Reginald Fessenden. O sinal foi captado por navios a 80 km de distância. O advento do rádio marcou uma nova era

nas comunicações, porque suas ondas possibilitaram a quebra de uma barreira que subsistiu

à tecnologia da impressão: o analfabetismo.” (PERLES, p.9)

“A tecnologia que propiciou a imagem em movimento e adicionou a ela o elemento sonoro, rompeu com as experiências estéticas até então vivenciadas por meio da técnica de impressão.

O cinema antecedeu a televisão enquanto tecnologia que possibilitou a visualização da imagem em movimento.” (PERLES, p.10)

“Mas o processo de integração dos meios de comunicação iria sofrer o mais profundo impacto com o advento da rede mundial de computadores, denominada Internet.” (p.10)

Briggs e Burk (idem, p. 310) : Em um período de aceleração da tecnologia, a Internet desafiou as previsões […]. Rapidamente deixou para trás a física e desenvolveu uma psicologia própria,

como havia sido feito o desbravamento da fronteira, e o que veio a ser chamado de sua “ecologia”, palavra nova nos estudos da comunicação […]. (p.11)

(Burke apud Shockley, 2004, p. 26): “Nossa era é eminentemente mecânica. Viajamos de um lugar a outro a velocidades relativamente monstruosas, falamos uns com os outros a grandes distâncias e lutamos contra nossos inimigos com surpreendente eficiência — tudo com a

ajuda de artifícios mecânicos.” (p.11)

“Ao chegar no homem-consumidor, aparelhos, equipamentos, acessórios e processos promovem o bem-estar social resumido numa comodidade inimaginável há algumas décadas.” (PERLES, p.11)

“Eis, pois, aqui, o termo mágico pelo qual tudo se move: consumo.” (PERLES, p.12)

Jambeiro (1998, p. 3) diz que: “Não importa a natureza da informação, a tecnologia necessária para transformá-la, editá-la, transportá-la ou armazená-la é a mesma, embora em certa medida

persistam métodos e qualificações diferenciados para os processos de concepção e produção de serviços e produtos. Serviços e produtos estes que passaram a submeter-se aos processos de apropriação típicos das estruturas econômico-financeirasda sociedade.” (p.12)

“O cenário atual é caracterizado fortemente pelas ocorrências de arranjos técnicos que produzem ininterruptas convergências.” (PERLES, p.12)

“A Internet, nos parece, representa a culminação de um ciclo de desenvolvimento da tecnologia da informação, tanto quanto outros ciclos que se completaram. Mas tal afirmação,

longe da ingenuidade e crença simplista, não supõe fim algum, antes, aponta para o surgimento de uma nova era, ainda que insipiente.” (PERLES, p,13)

“A nanotecnologia é um termo ainda novo e quase desconhecido no vocabulário do público.” (PERLES, p.13)

(Silva, 2004, p.3): “As aplicações possíveis incluem: aumentar espetacularmente a capacidade de armazenamento e processamento de dados dos computadores; criar novos mecanismos para entrega de medicamentos, mais seguros e menos prejudiciais ao paciente dos que os disponíveis hoje; criar materiais mais leves e mais resistentes do que metais e plásticos, para prédios, automóveis, aviões; e muito mais inovações em desenvolvimento ou que ainda não foram sequer imaginadas. Economia de energia, proteção ao meio ambiente, menor uso de matérias-primas escassas, são possibilidades muito concretas dos desenvolvimentos em nanotecnologia que estão ocorrendo hoje e podem ser antevistos.” (p.13–14)

“Em março de 2004, durante o EPA (Environmental Protection Agency), órgão do governo dos Estados Unidos, quando disseram que A nanotecnologia, incluindo a nanobiotecnologia, tem sido divulgada pelas indústrias e pelos governos como a próxima revolução industrial, a maior e a mais rápida do mundo. Mais de 450 empresas dedicadas à nanotecnologia já estão

no mercado produzindo uma gama de produtos da ’nano velha’, como partículas usadas em cosméticos e atomizadores, e produtos da ‘nano nova’ como chips, sensores e novas formas de carbono. É preciso que o setor industrial se empenhe para que as preocupações relativas à saúde e ao meio ambiente não se desviem do progresso da nanotecnologia.” (P.14)

“Tais elementos oferecem condições para que possamos supor que um novo tempo tecnológico venha se forjando, caracterizado pelo surgimento de novos produtos e elementos que devem, num tempo ainda difícil de precisar, quebrar novos paradigmas comunicacionais

e alterar os condicionantes da relação humana.” (PERLES, p.14)

“Seguramente, os profissionais, donos de empresas, estudantes da área de comunicação,

escolas de jornalismo, bem como especialistas da área, serão desafiados a produzir a partir de novas concepções, em que a capacidade de criação e inventividade nunca se fez tão emergente.” (PERLES, p.14)

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