A vantagem da mesa cheia e o atual“carro chefe” da cozinha daqui de casa

Meu círculo de amizade mais íntimo gira em torno da comida: nossos encontros, reuniões, saídas e afins envolvem sempre o ato de cozinhar, ou de procurar ingredientes diferentes no mercado. Mais ou menos desde 2013 esse tem sido nosso grande prazer coletivo, que começou com a Amelie falando em “porangos” na cozinha de uma república que tinha escrito na parede, à batom, “lavem a louça, porra” até chegar nos dias de hoje em que fazemos milhares de pratos — inclusive carnes, que foi a última a chegar aos nossos jantares — sempre que nos encontramos.

Essa relação da amizade-comida-entretenimento em comum fez com que aprendêssemos a cozinhar muitos pratos e a passar por parte razoável da nossa vida adolescente sem comer muita junkie food, sabendo fazer feira, escolher os produtos, economizar no supermercado, e, para além disso, nos ensinou o prazer de cozinharmos uns para os outros e de comer em companhia.

Hoje em dia não moro mais em uma república de cozinha comunitária — e só quem já morou em uma sabe o que isso significa — mas mesmo assim, pelo menos uma vez por semana recebemos alguns amigos em casa para jantar ou tomar um café da tarde com a gente, e, ao menos uma vez a cada dois meses a nos reunir com nosso grupo de amigos e a cozinhar bem e bastante por longas horas.

As famigeradas batatas

Acredito que desenvolver uma relação afetiva e saudável com a comida passa, sobretudo, por isso. Quando eu vou fazer pão sempre me lembro do jantar em que comi o pão de fermentação lenta do Juno em 2013, quando vou assar batatas me lembro da receita da Larissa de batatas com pimentões cebola e alho assando por apressados 40 min no forno da república na primeira vez que comemos todos juntos, ou dos pães de farinha e água “sírios” que a Anna fez para a gente em um jantar. E, diferente de quase todo mundo, ratatouille não me lembra a animação, mas um final de semana de muito calor na piscina do Andrei. Assim como o meu preguiçoso papelote de cação com vegetais me lembra do meu primeiro jantar com a Fernanda, que acabou em casamento. E comida tex mex agora sempre vai me lembrar a Gabi e duas garrafas de vinho em uma sexta-feira comum. Confesso que a capacidade energética, nutrientes e afins ficam em segundo plano, e fico feliz que ainda seja assim.

O ratattouile de verão

Aqui em casa, obviamente, também temos nosso “carro chefe”, que na verdade é nosso prato mais marcante e mais “nosso”; quando eu e a Fernanda decidimos morar juntas, a primeira coisa que compramos foi um espiralizador de legumes na multi coisas do shopping. A primeira janta que fizemos no nosso apartamento foi, pois, um macarrão de cenoura e abobrinha com camarões e creme de leite fresco.

Depois disso, ficou marcado para sempre o macarrão de cenoura e abobrinha como nosso confort food especial, nas mais variadas versões: com molho bolonhesa, com alho e gergelim, com camarões, etc. Esse é um prato bastante nosso, bastante rápido e que sempre ficou bem em qualquer variação, além disso, cada vez que o preparo me lembro de entrarmos no multi coisas e comprarmos o “primeiro passo” da nossa vida a duas. E olha que eu, apesar de comer sempre, gostou pouco de cenoura. É um preparo que fazemos quase uma vez por semana, quase sempre na janta e nos dias de pouco tempo, junto à vontade de se mimar um pouco.

E esse é outro conselho meu para quem quer criar o hábito de cozinhar: faça disso uma atividade prazerosa e afetiva. Nem sempre cozinhamos com amor, muitas vezes a gente cozinha porque quer comer, o que é a vida real, normal. Mas não deixe de nutrir um grupo de amigos que gosta de cozinhar com você, uma receita sua e do mozão. Sobretudo pelas rotinas tão cheias, é bacana tirar 1 horinha por dia que seja para cozinharem juntos, comerem juntos, conversarem sobre o dia e etc; acho que isso, inclusive, é uma das pequenas ternuras cotidianas — que não tiram em nada o prazer de comer e de cozinhar apenas para si mesmo, inclusive.

Agora vamos a parte que também importa, a receita #002:

Macarrão de cenoura e abobrinha com carne moída e molho de tomate

Tempo: 15 minutos contados desde descascar os legumes até servir.

Ingredientes (rende 2 porções bem servidas)
1 Cenoura
1 Abobrinha italiana 
3 tomates bem maduros*
(*se você quiser pular a parte do molho caseiro, são itens dispensáveis. Nesse caso, recomendo usar tomates pelados)
150 gr de carne moída de patinho
1 col chá de pimenta do reino
1 col chá de noz moscada
1/2 col chá de sal

Modo de preparo

  1. Passe a cenoura e a abobrinha no espiralizador de legumes, caso você não tenha (apesar de ser barato e uma mão na roda para a casa), pode usar o descascador de legumes para ir fazendo “fatias” finas da cenoura e da abobrinha. Reserve.
  2. Coloque a carne moída na panela quente, mexendo sempre. Adicione a pimenta do reino, a noz moscada e o sal. Mexa até ela cozinhar completamente.
  3. Adicione o molho de tomate. Se você for fazer o molho, é bem simples: pegue três tomates bem maduros e façam uma cruz em cada lado dele, jogando-os, depois, em uma panela com água quente. Quando a pele dele começar a soltar, tire do fogo, jogue os tomates na panela de carne moída e os amasse. Depois disso, você pode usar manjericão, cheiro verde e afins para temperar o molho como você preferir.
  4. Junte os legumes na panela com a carne moída e o molho. Tampe e deixe cozinhar por uns 5~8 min.
  5. Só servir. Para dar um crocante, eu coloquei gergelim. Você também pode colocar queijo parmesão por cima.
Foto do macarrão pronto e parcialmente devorado.
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