Dia dos namorados O Boticário: a polêmica campanha de 2015

Depois de tantas polêmicas no ano de 2015, a marca líder em perfumaria O Boticário tem realizado campanhas mais convencionais para o “Dia dos Namorados” nestes últimos 2 anos.

Vamos relembrar o fato: Em 2015, a marca produziu uma linda e tocante campanha com o título Casais. Isto incluiu todo e qualquer tipo de relacionamento, todo e qualquer tipo de amor. E assim foi ao ar, em horário nobre, casais heterossexuais e homossexuais. Em um comercial singelo, com cenas que envolviam abraços, olhares carinhosos e sorrisos.

A marca não manteve o posicionamento a favor da diversidade, abordando o empoderamento feminino em 2016 e o lado divertido dos relacionamentos em 2017.

ACEITAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

A marca se envolveu em polêmicas, devido a campanha de 2015, e as redes sociais mais pareciam um campo de guerra, a situação lembrou a Teoria das Janelas Quebradas desenvolvida por James Q. Wilson e Goerge Kelling, a qual defende que quando uma janela aparece quebrada e permanece em um lugar sem conserto, logo aparecem vândalos para acabar com todas as outras janelas ao redor. Neste caso, quando uma pessoa começou a criticar logo após tantos elogios, logo apareceu uma manada de seguidores expondo sua raiva e indignação.

As discussões na web não foi o único motivo, ainda há o fato de o Brasil ser um país conservador e a marca pertencer a massa, com muitas lojas espalhadas em cada cidade. A dimensão da polêmica foi tanta, que a propaganda foi parar nas reclamações do site Reclame Aqui e no Conar (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária).

PROBLEMÁTICA

Desde então, a marca parece estar querendo se “redimir” com o público. Mas, qual o motivo? Por que fugir da inovação com novas ideias e voltar ao trivial, presente nas últimas campanhas para a data? Isso não altera o trabalho do seu posicionamento?

NOVAS DISCUSSÕES

Ao trabalhar o amor em todas as suas relações, a marca mexeu com o seu capital simbólico (termo adotado pelo teórico Pierre Bourdieu) com isso, a postura a favor da diversidade entrou nos lares brasileiros, o que não agrada a gregos e troianos, apesar do número de likes serem superior ao número de dislike no Youtube. É como se a classe homossexual somente pudesse ser exposta como estudos da ciência biológica e psicanalítica e não pudesse ser vista como mais uma forma de amar e ser livre. Devido a pressão social, é compreensível que a marca prefira se ajustar a outros conceitos explorados pela contemporaneidade, pois oferece menos riscos de rejeição. Fica a critério do público compreender e/ou aceitar como a publicidade trata suas representações.

Para quem quiser assistir ao comercial polêmico:

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Ana Beatriz Bezerra de Melo

Written by

Public Relations. Master Degree. Digital Marketer

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