me abraça.

por favor, me envolve nos seus braços e diz que vai ficar tudo bem. e faz tudo ficar bem. e deixa eu sentir o gosto do teu beijo mais uma vez ao invés de sentir o sabor salgado das minhas lágrimas.

agradeço todos os dias por te ter ao meu lado e saber que você está sempre ali para mim, mas acontece que eu não estou ali para mim e isso é horrível.

eu me sinto vazia.

vazia.

eu não consigo lidar com a tua tentativa (e dos outros) de me preencher porque, amor, eu preciso ser preenchida pelo meu próprio eu. preciso entender que sou completa e aceitar o fato de que você não vai fazer nada além de complementar – me transbordar.

não vou negar que liguei o modo avião para não ver o teu nome na tela e correr chorando para alguma ligação enquanto desabafo sobre todos esses sentimentos emaranhados que se transformaram em um nó. não sei se bebi demais ou de menos. acho que não foi o suficiente para (te) me esquecer, mas foi muito para que eu conseguisse enxergar toda essa bagunça.

eu estou quebrada.

cuidado por onde anda pois pode acabar pisando em alguns cacos e se machucando. se não aguentar a dor, pode ir. tô acostumada a pessoas indo embora sem deixar satisfação. é bom que o faça, assim não me prendo a meias palavras e meios sorrisos e bilhetes rasos e corações partidos. disso tudo já basta eu.

perdoa o caos, tô tentando varrer isso tudo há meses. é que o último que passou por aqui quebrou tudo e eu tô tentando dar uma geral. me ajuda. segura a pá enquanto eu varro. passa o pano ali naquela parte porque tá imunda. me tira daqui, sou claustrofóbica. me faz voar. mas, antes, me segura. e não me deixa ir embora.