bom-dia, boa-noite

Ana Blue
Ana Blue
Jul 10, 2017 · 1 min read

eu soltei um bom-dia-flor-do-dia pra um homem hoje, cheio de afeto genuíno, mas fiquei logo me sentindo incomodada. foi muito bobo ou muito infantil? excessivamente carinhoso ou efusivo? um desses clichês dos quais a gente corre enquanto pode? não conseguia entender o que estava errado na minha meninice, mas algo estava errado sim, parecia muito grave falar desse jeito, muito mais que apenas cafona.

aí lembrei agora há pouco, claro como água. uma vez, há um ano e meio pra ser mais exata, eu baixei o tinder e acabei trocando ideia com um maluco lá do Rio, rapaz interessante, artístico, achei até bonito. falamos apenas essa vez, até de madrugada, sendo que eu apaguei e não respondi suas últimas mensagens de boa-noite. então, de manhã, falei novamente com ele.

às 9h04, eu disse: bom-dia-flor-do-dia.

ao que ele responde apenas dois dias depois, em tom professoral e didático, dizendo que achou estranho demais eu escrever aquilo “àquela hora da madrugada”, e que “não se agarra passarinho fazendo barulho”. “acabei de falar com você e você já me acorda me dando bom dia”.

era essa a sensação de que algo estava errado. a memória desse episódio. me lembrou que sempre, em algum lugar, haverá alguém pensando que o afeto é um horror e a gentileza, uma promessa de sentença.

só que eu continuo sendo afeto genuíno futebol clube, mesmo assim.

    Ana Blue

    Written by

    Ana Blue

    eu somos.