ressonante
o amor é uma busca mútua. mas não uma busca a se fazer lá fora. fizeram você pensar que a coisa toda está lá fora. no olho, na carne, no sexo do outro, para que você se sinta eternamente incompleto. mas você não é incompleto. a coisa e qualquer coisa que você procura já mora dentro dos limites da sua pele, da sua carne, do seu sexo. primeiro, a coisa existe dentro. é você quem deve olhar pra dentro e fazer acontecer e desacontecer o amor de que precisa. amor é um oceano imenso e misterioso. quanto tempo mais você olhará para cada gota que pinga da torneira? amor é fogo arrasador e alto. quanto tempo mais você ficará olhando para a cabeça queimada de um fósforo? há uma casa limpa e cama macia no quarto-e-sala do teu peito. quanto tempo mais você permitirá que passeiem no seu destroço e no seu lixo? amor é isso que faz querer ser melhor. arrumar cabelos e gavetas. deixar corpo e mente sãos. há quem esteja no fundo do buraco da existência e pense que amor é alguém pular e fuçar lá dentro. mas não é. amor é jogar uma corda, para o outro e pra si mesmo. a busca não é bater em cada porta. não é pedir um copo d’água em cada porto. amor é uma caixa de ressonância. quando ele está perto, você sabe.
