Cajuína é corote de 5

Ana Be
Ana Be
Jul 28, 2017 · 2 min read

Eu quero ir embora, eu quero dar o fora.
Quero homens de cinza e gravata de mãos dadas porque é feriado e o banco central com impostômetro na sé fechou, faxineiras dançando nas varandas de higienópolis, meninos de canela ruça empinando pipa e fazendo gol às 17 e meia.
Te quero no sol do Rio de Janeiro laranja morrendo de bala perdida na marginal por um engavetamento da semana que não teve quarta.
Quero o medo de entrar no chuveiro gelado no inverno, coisa trivial pra você que mora comigo. Não que a gente more junto, mas sob o seu céu corre meu caminho, correm minhas integrações e tropeços em paralelepípedos amarelinhos.

Quero o alívio de passar o carandiru e sentir a energia clarear, o fim de semana emendado e um buraco no peito que se chama ansiedade pelos encontros, uma parada nas linhas preu trombar você e você e você e você com uma cara de cansaço e o fone estourando em PAZ INTERIOR. Seja de paz, malandragem! Quero o “ow” e o calor que perpassa a coluna quando meus choques atingem seu peito.

Eu sou plural morando no plural de catracas. Sou gente afogada na fuligem e o sufoco das 18, se eu atrasar é culpa minha sim, mas também não é. Eu quero suas histórias de existir e saber de sinais na cptm de “diminua a frequência”.

eu quero gritar!
PUTA QUE PARIU COMO EU QUERO GRITAR, deitar nos chão, me debater como peixe que saiu da água, quero parar os relógios e implorar ao tempo que passe sem pesar, quero que esse tempo te traga. Me trague, e que não seja um camel amarelo porque isso é caro, mas se quiser pode.

Quero sua reação depois das provas e quando o salário acaba. Quero te mostrar porque eu gosto de luzes e porque o brás é tão feio e bonito

eu moro num lugar estranho, talvez você conheça,
quero conhecer suas histórias, então quais são?

    Ana Be

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    Ana Be

    alquimista das ideias