Afinal, ele merece!

Nesse domingo, dia 28 de fevereiro de 2016, Leonardo Dicaprio “quebrou” o twitter com sua vitória no Oscar, foi a primeira vez, em sete indicações, que o consagrado ator de hollywood conquistou o prêmio. Desde que saíram as indicações do maior e mais importante prêmio do cinema, a internet vem sendo palco da torcida mundial pelo ator, e acredito que, pela primeira vez, muitas pessoas acompanharam a premiação inteira (que tem quase três horas de duração) só para ver com os próprios olhos, Leo levar a tão almejada estatueta para casa. Leonardo Dicaprio não é o primeiro ator a ter que lidar com algumas derrotas antes de conquistar o prêmio, além disso já conquistou diversos outros prêmios importantes e se consagrou como um dos melhores atores de sua geração. Então porque será que seu primeiro Oscar movimentou tanto a população ao redor do mundo, criando uma corrente global que torcia e sofria junto com o ator em todas as suas derrotas e que vibrou mais que ele com sua vitória?! Porque afinal, ele merece!

Ao longo dos anos vimos Leonardo Dicaprio crescer, não só como pessoa, mas como ator e profissional. Entre seus filmes considerados fracassos, se encontram: “A Praia”; “O Homem da Máscara de Ferro”; “Eclipse de uma paixão” e “Romeu e Julieta”. A verdade, porém, é que mesmo em filmes medianos, com roteiros fracos e péssimas produções, o ator ainda conseguia fazer bem o papel de galã, conquistando o coração de diversas pessoas (eu inclusive) que suspiravam com seu Romeu. Dicaprio nunca teve uma performance considerada ruim e mesmo que nesses filmes não tenha conseguido dar o melhor de si, ainda assim escolheu personagens e histórias extremamente difíceis de serem contadas, buscando desafios e desenvolvendo o máximo possível suas performances, tratam-se de filmes que foram essenciais para que ele pudesse aprimorar sua atuação e se tornar o artista que é hoje. Mas não há como negar que foi em “Titanic” que Leo conquistou sua grande quantidade de fãs fiéis, e apesar dessa não ser uma grande performance, o ator conseguiu transformar o galã Jack em um homem dos sonhos, que não só aceita, como incentiva a liberdade de sua amada Rose, fazendo com que ficasse praticamente impossível não se apaixonar pelos seus olhos azuis e seu sorriso inocente.

E quando o ator consegue fazer de um papel tosco algo grandioso é que os papeis decentes começam a aparecer, e com Leo não foi diferente. Das brilhantes e impecáveis performances que ele carrega no currículo, as minhas favoritas se encontram nos filmes: “Django”, “O Aviador”, “Ilha do Medo”, “A Origem”, “Os infiltrados”, “Diamantes de Sangue” e “Prenda-me se for capaz”. Todos são filmes brilhantes, com roteiros maravilhosos, liderado por grandes nomes de direção e recheado de atores extremamente competentes com os quais Leo não se deixa intimidar e responde com atuações a altura, se não melhor. Todas são dignas de Oscar, todas carregam uma extrema imersão do ator no personagem nos fazendo acreditar em cada palavra que sai de sua boca e em cada segundo da história. E como se não bastasse ser lindo e talentoso, Leonardo Dicaprio é engajado, se preocupa com o meio ambiente, criou uma organização não governamental que busca maneiras de combater as mudanças climáticas, é politizado, lançou campanhas no youtube incentivando jovens a votarem e leva a sua mãe como par em todas as premiações. Tem senso de humor, participou do monologo de Jonah Hill no Saturday Night Live fazendo piada com a própria atuação em “Titanic” e se mantem na sombra, prezando por sua privacidade e buscando fugir do rótulo de celebridade, e talvez, por esses motivos, seja um constante rejeitado da academia.

Quando alguém que não dança conforme a música é reconhecido por uma grande instituição, nos todos nos sentimos vitoriosos. Leonardo Dicaprio, a tempos, não trabalha mais com roteiros de blockbuster, mas seus filmes lotam salas de cinema e geram grande bilheteria, seu nome virou sinônimo de qualidade, qualidade essa que a Academia insisti em punir, premiando apenas grandes filmes, grandes nomes e aqueles que seguem as regras que ela impõe. Por esse motivo, quando Julianne Moore fez a tão conhecida pausa antes de ler o nome do vencedor, nossos corações estavam a mil e quando ela leu o nome que queríamos ouvir, vibramos como se nós tivessemos ganhando o Oscar. Como se soubesse o que seus fãs esperavam dele, Leo não decepcionou, subiu no palco, foi ovacionado, agradeceu a mãe, a equipe e falou do clima, falou de política, conscientizou o mundo com seu discurso de agradecimento. Leonardo Dicaprio merece um Oscar, não apenas porque seu rosto é lindo e suas atuações são impecáveis, mas porque entendeu que a arte existe para mudar ideias, para causar desconforto, quebrar conceitos errados e criar um mundo melhor. Vinte vivas para Dicaprio, ele merece!

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