Manhã

Ela sorriu pra mim. Estava na cafeteria de sempre fazendo meu monótono ritual diário, ela sentou-se ao meu lado no balcão, sorrindo. Congelei. Não estava preparado para aquela desagradável intervenção de hábito. Não que houvesse algo desagradável na moça, pelo contrário, eu já a conhecia.

Fã assíduo de todas as plataformas sociais com as quais ela interagia, não havia uma foto sua online, sem minha aprovação, e até comentário, nos meus dias de ousadia. Mas a forma física apresentada a minha frente, rompia a barreira do meu silêncio, do meu observar distante. Não era certo.

Levantei-me da cadeira, impedi qualquer interação, com um seco bom dia, sem nem olhar no seu rosto. Saí da cafeteria como se ela não fosse nada. Não pude evitar, ela quebrou as regras sorrindo pra mim, fiz o que ela deveria ter feito e fingi não a notar. Mas notei, sempre notei, só não cabia a ela saber disso.

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