Cultura organizacional e inovação

e um pouco do que aprendi sendo líder

Na definição de Brené Brown, líder é qualquer pessoa que assume a responsabilidade de descobrir o potencial de pessoas e situações. Tenho muito orgulho das equipes que liderei. Vejo nas pessoas uma evolução que vai além dos resultados do negócio.

Percebi, no decorrer desses anos, que para recuperar a criatividade e o aprendizado, era preciso reumanizar as relações no trabalho. No sentido mais profundo da palavra, com conversas sinceras, com interesse genuíno pessoa que está do outro lado. Desmistificar a vergonha e o medo de errar. O medo da reprovação. O medo de não ser aceito. Medos estes que possivelmente foram enraizados na época da escola. Afinal, o que aprendemos durante anos: questionar ou dar a resposta certa para perguntas que nos foram feitas? E o que acontecia com quem errava?

Numa pesquisa da Brené com alunos do 2º ciclo do fundamental, um aluno comentou:

“Às vezes, dá para fazer perguntas ou desafiar ideias durante a aula. Mas se a gente pega um professor que não gosta disso, ou se alguns colegas ridicularizam quem age assim, é terrível. A maioria de nós acaba aceitando que é melhor manter a boca calada e as notas altas.”

Kevin Surace, da Serious Energy, quando questionado sobre a maior barreira para criatividade e inovação, disse:

“É o medo de lançar uma ideia e ser ridicularizado ou menosprezado. Se estivermos dispostos a passar por essa experiência e sobrevivermos a ela, depois virão o medo do fracasso e o medo de estarmos errados. As pessoas acham que só são boas se suas ideias forem boas, e que elas não podem deixar de saber algo. O problema é que ideias inovadoras geralmente parecem loucas, e o fracasso e o aprendizado fazem parte da revolução. Mudança gradual e evolução são importantes, mas precisamos de uma revolução verdadeira, e isso exige um tipo diferente de coragem e criatividade.”

Parece que ele contou a história da minha vida :)

O padrão de escassez, que vem de ambientes competitivos, onde crê-se que há espaço somente para poucos terem sucesso, está afetando a maneira como lideramos e trabalhamos. A sensação de que sempre falta algo, a busca pelo próximo passo, a sensação de que nunca está bom o bastante, rápido o bastante, perfeito o bastante, nos coloca em um estado constante de insuficiência.

A liderança humanizada exige extrema coragem. Lançar luz sobre o lado obscuro da vergonha, da falha, com entendimento e conversas honestas (muitas vezes perturbadoras). A vergonha produz medo e atrofia a confiança, motivação e criatividade. Culpa, fofoca, apelidos e favoritismo são sinais de que a vergonha impregnou na cultura.

As pesquisadoras June Tangney e Ronda Dearing explicam que neste tipo de relacionamento, as pessoas medem, pesam e atribuem culpa, diante de qualquer resultado negativo, grande ou pequeno, e que precisa ser atribuído a alguém. Daí surge a vergonha, seguido pela mágoa, a negação, a raiva e a retaliação.

É preciso reexaminar a motivação. Quando estamos desmotivados, não nos mostramos, não contribuímos e deixamos de nos importar. O aprendizado é desconfortável. As conversas sinceras são desconfortáveis. E vale o esforço, quando deixamos de nos importar? A vergonha só triunfa em ambientes em que as pessoas desistiram de comprometer com algo para se protegerem. E neste ambientes, cria-se a cultura de esconder a verdade.

Em uma cultura em que há respeito pelo outro, não há medo, culpa ou vergonha. Como mencionei, na maioria das vezes, este sintomas começaram na escola e a auto proteção está no subconsciente. Uma forma de trazer à luz padrão de comportamento é mostrando que o desconforto é algo normal. Aprendemos com o desconforto e todos queremos evoluir.

Um dos grandes desafios da liderança é convencer sua mente e seu coração de que precisam incentivar a coragem, se colocar em uma posição desconfortável para ensinar às pessoas a sua volta que o desconforto faz parte do crescimento. Sem resistência à mudança. Criando um ambiente que não ridiculariza o diferente. Não solucionaremos as questões complexas que enfrentamos hoje sem criatividade, inovação e aprendizado estimulante.

Líderes precisam se mostrar, por mais que possam parecer vulneráveis. Precisam ser curiosos e querer aprender, para assim inspirar. Líderes procuram sentido nas coisas e têm um profundo desejo de criar e contribuir. Foram criados para o relacionamento e envolvimento. Quando líderes deixam de estimular a ousadia e passam a enxergar os outros pelas tarefas que entregam, se afastam do que o mundo mais precisa: talentos, ideias e paixão.

Que tenhamos coragem para ousar, se envolver, se revelar e aprendermos uns com os outros!

Ana Carolina B. F. Biz

Written by

Engenheira, atleta amadora, terapeuta holística e high-performance coach em formação. Sendo a mudança que deseja ver no mundo.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade