Ser o bastante
Auto aceitação, fugir do perfeccionismo, arriscar e ser grande.

Eu demorei muito para perceber que escondido na disciplina e na alta performance estava uma pessoa que precisava desesperadamente da aprovação do outro.
Uma fuga. Nunca achei que eu fosse perfeccionista. Sempre achei meus projetos ousados, sempre me considerei resiliente e aberta ao erro. Sou sim, aberta ao erro dos outros. Super receptiva e tolerante com os erros da minha equipe. Sempre incentivando a inovação.
Mas na pretensão de sempre falar algo relevante, de sempre acrescentar, de sempre estar preparada, não falava. “Melhor não falar, que falar besteira” ou “Só falo quando tenho certeza”. Horas de preparação para uma reunião de minutos. E se não houver preparação, melhor não me expor. Esses pensamentos sempre me rondaram.
Demorei para perceber que estar vulnerável era um ato de coragem. E perfeccionismo é apenas um escudo para evitar a dor de ser criticada.
Sim, sou resiliente, quando criticam projetos, processos, atividades. Resiliente principalmente quando algo dá errado, estou sempre pronta para recomeçar. Mas eu não percebia que frequentemente eu confundia o que eu penso, o que eu faço e o que eu expresso com o que eu SOU.
Não sou minhas ideias. Elas, inclusive, mudam com frequência. Não sou meu emprego. Não sou minha formação. Não sou minhas conquistas e, muito menos, meus fracassos.

O que eu sou? A minha essência? Ainda estou neste processo de olhar para dentro para entender melhor. E aos poucos internalizando que sim, eu sou o bastante, independente da crítica alheia, ou da simples e cruel falta de aprovação.
Em uma época com tantas métricas de sucesso, promoção, status, likes, visualizações, como compreender que só faz coisas grandes quem ousa estar vulnerável? Quem não se esconde, quem não se intimida, quem arrisca e compartilha sem esperar nada em troca? Como lidar de forma plena com a reprovação? Como, de forma autêntica, entender que eu sou o bastante?
Hoje começo este projeto de escrita terapêutica, como gosto de chamar. Pois o que é o ato de escrever se não uma excelente escola para quem precisa se curar do perfeccionismo? Há sempre algo a ser editado, há sempre algo a ser acrescentado. Quando este texto estará bom o bastante para ser publicado?
Assim continuo, acolhendo cada falha, incerteza e insegurança, entendendo que — não adianta esconder, elas são parte de mim.
