A culpa é do Jota Quest

Quem nunca ficou deprê por causa das inúmeras músicas que falam de desilusão amorosa? Hoje se chora com a sofrência sertaneja, mas só quem ouve Rock Nacional vai entender que chorar por um amor não correspondido vai muito além da dor de levar um pé na bunda.
O rock nacional colocou o amor num patamar literário, romântico, impossível de alcançar. Já dizia o Jota Quest “ Quero um amor maior, um amor maior que eu”… Mas o quê raios isso quer dizer?
O Jota Quest já foi minha trilha sonora imaginária para muitos momentos, alguns deles aconteceram apenas na minha cabeça, é claro. E esses dias fiquei pensando em todas as expectativas que criamos baseados nestes amores impossíveis das músicas. Mas será que são tão impossíveis assim?
Por exemplo, neste trecho da música Do seu lado:
“Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive sozinho, que um dia seria seu marido seu príncipe encantado.
Ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sitio, ir ao cinema todo domingo só com você do meu lado.”
Gente, não me parece impossível ter filhos (um só tá bom né?), um apartamento (alugado, porque financiar tá foda), um fim de semana no sítio (tira essa parte que eu não gosto de sítio) e ir ao cinema no domingo. São coisas simples, não é? Então porque não nos contentamos com o simples e ficamos sonhando com um amor de filme?
Eu já experimentei os dois lados. Já vivi um amor literário, cinematográfico, com direito à juras de amor olhando as estrelas. Mas tudo não passava de um script muito bem arquitetado, que claro, não sobreviveu à realidade. E também já vivi um amor simples, que dividia cafés, filosofias, alegrias e tristezas. Me trouxe muita felicidade, mas também não durou.
Como faz então pra viver um amor simples como se fosse de cinema?
Eu sinceramente não sei, mas o Jota Quest sempre tem a resposta:
“Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também”
