Ciclos

Como saber quando um ciclo deve se encerrar?

Carol Oliveira
Nov 2 · 4 min read

Acordei num sábado de feriado sem saber exatamente o que fazer, queria aproveitar melhor meu dia de folga mas depois de tantas semanas na correria já não sabia como aproveitar um dia inteiro livre de obrigações.

Minha mente ansiosa já caçava algo útil pra fazer, um trabalho pra adiantar talvez, algum tutorial pra aprender, ou qualquer coisa que me fizesse ficar sentada em frente ao notebook como todos os outros dias da semana. Não, eu não queria passar esse dia do mesmo jeito que passo os outros.

Fui para a frente da TV procurar alguma coisa, passei por todos os 200 e tantos canais e nada. Abri o Netflix e rodei aquela página inicial na ânsia de encontrar o filme perfeito para refletir, mas não encontrei nada. Resolvi então abrir o Youtube e colocar alguns clipes pra rodar aleatoriamente.

Não sei se você leitor sabe, mas eu sempre quis produzir videoclipes. Desde a época da boa e velha MTV que passava clipes durante boa parte de sua programação, eu venho alimentando esse sonho de um dia ter meu nome no começo de algum clipe musical.

Enquanto assisto os mais diversos gêneros musicais, minha mente vagueia por todas as escolhas que fiz até hoje que não me levaram para esse caminho. Me emociono com músicas que mais parecem filmes de tão bem feitos os clipes, e fico me perguntando porquê nunca tomei coragem e segui nessa direção. Eu não sei a resposta, tampouco pretendo respondê-la nesse texto, mas hoje me vejo num ciclo que já não sei se devo encerrar para buscar o que tanto desejo.

Atualmente curso Jornalismo e sou fotógrafa nas horas vagas, gosto bastante das duas áreas e não nego que depois que entrei na faculdade muita coisa na minha vida começou a fluir. Conheci muitas pessoas (e levo algumas bem guardadas no meu coração), descobri talentos que nunca havia cogitado a ideia de desenvolver, me vi desistindo de certezas e escolhendo outros rumos com o passar dos semestres.

Mas hoje, com o corpo e a mente cansados, me questiono se esse ciclo já está pronto para se encerrar e dar lugar para um novo. Como saber que devo seguir meu rumo em direção aos meus sonhos, que não são poucos e que devido à minha impulsividade mudam com tanta frequência?

Me lembro de um professor que me disse uma vez que meu estilo de escrita era de blogueira (disse isso em tom pejorativo, mal sabia ele que hoje existiriam tantos blogueiros que fazem a diferença no mundo), e hoje me vejo um pouco presa na área do jornalismo por não conseguir experimentar tudo que desejo.

Tenho muitos sonhos, muitas carreiras que tenho vontade de experimentar e já não sei se um pedaço de papel dizendo que cumpri os 4 anos de faculdade me farão chegar lá ou ao menos me colocarão um pouco mais perto dos meus objetivos.

Vejo que boa parte das aulas não são do meu interesse e sinceramente só me mantenho lá ainda por causa das poucas e boas amizades que fiz. Relembro cada momento que tivemos juntos e me dói o coração de pensar que se eu abandonar isso pra seguir meu rumo talvez esses momentos se tornem apenas bons momentos e eu tenha que seguir sozinha.

Mas o pior foi pensar tudo isso assistindo o clipe “See you again”, aquele que mostra a despedida do Paul Walker no filme Velozes e Furiosos 7. Meus olhos se encheram de lágrimas ao me dar conta de que, mesmo que eu não me despeça dos meus amigos agora, daqui à dois anos isso acontecerá.

Essa convivência diária, as conversas filosóficas sobre nossas neuras e problemas, as risadas e piadas internas…tudo isso irá acabar daqui à exatos dois anos. Tudo que começa inevitavelmente termina um dia.

Então como saber se esse ciclo deve se encerrar para dar lugar à um novo?

Eu sinceramente não sei, Velozes e Furiosos continua até hoje com personagens diferentes e talvez tenha perdido um pouco sua essência, mas todos que participaram serão sempre lembrados por seus personagens.

Talvez a vida seja um pouco isso. Muda o cenário, mudam os personagens, mas o sentimento continua vivo independente de quanto tempo passe.

Independente do que eu decida, tenho a certeza de que esse sentimento de pertencimento prevalecerá. Eu fiz parte da história dessas pessoas que hoje ainda estão comigo, e mesmo que o cenário mude, sei que continuarei fazendo parte de suas vidas.

Carol Oliveira

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Diante de tudo, escrever ainda é a melhor solução.

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