O metrô

Hoje era o dia. Decidiu que nada o impediria de convidá-la para sair. Ao vê-la entrar pela porta do metrô sentiu um frio na espinha, será que teria coragem mesmo?
Ela sentou-se e deu um beijo em seu rosto, seguido de um bom dia animado, eles pegavam o mesmo metrô desde quando ela começara a trabalhar no mesmo prédio que ele.
Ela seguiu contando sobre seu novo crush, um carinha que estava estagiando no mesmo escritório que ela. Ela sempre corria atrás, sempre tomava atitude de chamar o crush pra sair, mas sempre dava errado. Eu insistia que ela deveria deixar as coisas rolarem, mas ela ria e dizia: Sou sagitariana meu bem!
Nos despedimos ao chegar no prédio, iríamos nos encontrar no almoço e seria a minha chance, mas ela disse que já tinha planos com o novo crush. Desejei boa sorte, ela sorriu e se foi.
Não vou almoçar, não poderia lidar com a cena dela com o tal carinha. Ouvir sobre suas investidas furadas era normal, mas ver era diferente. O dia se arrastou, evitava olhar para o relógio, mas sentia um embrulho no estômago, seria fome ou medo que dessa vez tivesse dado certo. Torço por sua felicidade, mas ficaria remoendo se não tivesse minha chance.
Fim do expediente, quando a encontro na porta do prédio ela sorri e eu já sei, não deu certo. Ela me conta que o carinha era a maior furada, muito infantil, pediu até um McLanche Feliz só pra ganhar o brinquedo. Eu a encaro, ela gargalha, ela mesmo já tinha feito isso diversas vezes.
Já no metrô, ela continua à procura de um novo amor em cada estação, comentando sobre cada novo possível crush. Eu a interrompo, dizendo que talvez ela deveria guardar seu arco e flecha, ela me olha com carinho, sorri e pega na minha mão. Obrigada por cuidar de mim, ela diz deitando sua cabeça no meu ombro.
Chega! Não posso deixar essa situação se prolongar. Esse é o momento, a estação dela está cada vez mais perto, esse embrulho no estômago tá me matando.
Eu levo a mão que está livre até seu rosto para acariciá-la, ela levanta a cabeça surpresa com o gesto, mas continua segurando minha mão. Eu me viro para encarar seus olhos, esperando que ela percebesse minha intenção, mas ela está de olhos fechados, apenas curtindo o carinho em seu rosto, eu aproveito e sussurro em seu ouvido, torcendo para que meu tom de voz seja o suficiente para ela não entender como um convite de amigo: Quer jantar comigo hoje?
O metrô chega na estação que ela desce, mas ela não se levanta. Ela abre os olhos, sorri timidamente e sussurra em meu ouvido: Achei que nunca me convidaria.
