Orgulho é um chocolate amargo 88%
E teimosia é comer até o fim sem gostar

Esses dias comprei um chocolate amargo 88%, todo pomposo, adoçado com Stévia e cheio de todos aqueles benefícios que os outros não tem, mas que, se você parar para pensar, não deveria importar porque é um chocolate e ele deveria apenas aumentar a minha serotonina.
O fato é, o bendito era ruim pra caramba. Não tinha gosto de chocolate (eu já comi outros chocolates amargos, caso pensem que não tenho com o que comparar), e só ficava suportável já no final do pedaço, porque acho que o meu cérebro já tinha acostumado com o gosto e resolvia se poupar de ter que lidar com a raiva de estar comendo aquilo.
No primeiro pedaço já senti que seria impossível comer a barra toda, aí você vai pensar que eu joguei fora né? Não, eu comi a barra toda (não no mesmo dia, é claro). Mas eu teimei e comi até o fim, porque afinal de contas, foi caro e eu não sou de desperdiçar comida.
Mas na verdade não era sobre desperdício de comida nem de dinheiro, e sim sobre orgulho e teimosia.
Eu era uma pessoa orgulhosa, confesso. Mas só descobri isso depois de bater de frente com outras pessoas iguais, ou seja, aquilo era um espelho me mostrando o que eu não queria ver e muito menos aceitar em mim mesma. Mas não estou falando de orgulho de honra e sim no sentido pejorativo.
Orgulho, segundo o dicionário, nada mais é do que um sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba, atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; vaidade, insolência.
Meu orgulho ficava visível em discussões sobre coisas que eu gosto, pois o meu ponto de vista era sempre o melhor, eu era arrogante e desprezava o nível de conhecimento das outras pessoas.
E o que ganhei com isso? Nada. Quebrei a cara e por teimosia, continuei quebrando por muito tempo. E o chocolate amargo que eu comi por pura teimosia me mostrou que ainda tenho muito à percorrer, percebi que muitas vezes nos apegamos à certas situações e queremos à todo custo provar que estamos certos, ou que pelo menos não estamos errados.
Mas provar pra quem? Pois é, você não precisa provar nada pra ninguém, só precisa prestar contas à você mesmo.
Cheguei à conclusão de que é preciso me libertar das amarras das certezas e aprender a ouvir o outro com o coração aberto e sem julgamentos, e que admitir e aceitar minha vulnerabilidade é a melhor maneira de me livrar desse amargo gosto de orgulho.
