#Sobre: fazer a sua parte

Você faz a sua parte? Quantas vezes já se pegou dizendo: Se todo mundo fosse como fulano o mundo seria melhor?

Pois é, você também poderia ser o fulano. Poderia fazer a sua parte sem esperar que o outro desse o exemplo. Mas é tão difícil quando acreditamos que a nossa parte é tão pequena que não vai fazer diferença, que não adianta querer mudar o mundo pois ele já não tem mais jeito.

São tantas coisas erradas acontecendo todos os dias: violência, política, pobreza, etc…Eu poderia escrever inúmeros textos sobre tudo que há de ruim no mundo, mas eu seria apenas mais uma dizendo o óbvio.

E eu não quero ser mais uma, eu sou otimista. Eu acredito num mundo melhor, acredito que se cada um fizesse a sua parte haveria uma revolução. Acredito que deveríamos nos preocupar em ser uma pessoa melhor, sem esperar que o outro também seja.

Eu aprendi a ser fiel ao meu jeito, e não deixar que ninguém diga que meu otimismo é loucura. Aprendi a fazer a minha parte sem deixar que os outros menosprezem a minha pequena atitude. Eu aprendi a oferecer sem esperar nada em troca.

Mas eu sou humana e também erro, me esqueço dessa lição e me vejo esperando amor em troca, esperando que os outros me entendam, que os outros também façam a sua parte. Me sinto incompreendida. Eu choro e fico me perguntando porque tem que ser assim. Mas aí eu me lembro de algo que a minha avó me ensinou (sem nem saber).

Quando minha avó estava doente, nós levávamos comida pra ela almoçar, e a casa dela ficava do outro lado da cidade. Era relativamente longe pra chegar rápido, e naquele dia ela ligou aqui em casa perguntando se eu já tava indo levar a comida, eu não lembro se ela achou ruim que eu tava demorando ou se falou alguma coisa que me deixou brava, mas eu saí extremamente nervosa (o que não era normal pra mim).

Durante todo o caminho eu fui bufando de raiva, mas aí começou a tocar uma música do Marcelo Jeneci (que eu não lembro qual era, mas a voz dele me acalma) e então eu comecei a pensar na minha atitude e me perguntar porque eu estava me sentindo assim. Fui pensando que eu não era assim, eu não sentia raiva e nem deveria ter ficado brava, porque eu estava levando a comida porque eu queria, ninguém tinha me obrigado a fazer aquilo, eu realmente queria estar fazendo aquilo.

Aquele sentimento não me levaria à lugar nenhum, eu não era daquele jeito. Pensei: o que eu posso oferecer pra minha avó sentindo raiva? Estando brava? Cheguei à conclusão de que eu deveria oferecer o que eu tinha de melhor, e ficar satisfeita por poder estar fazendo isso.

Poderia ser um dia como outro qualquer, mas naquele dia quando eu entrei na casa dela eu me senti diferente. Me senti bem por poder ajudar, mesmo que aquilo não fosse o suficiente para resolver seu problema de saúde.

E hoje, toda vez que eu me distancio do meu propósito de fazer a minha parte, eu me lembro desse dia. Me lembro de ser fiel ao que eu sou, de continuar acreditando e sendo otimista. Me lembro de oferecer o meu melhor, seja amor, uma palavra amiga, ou um ouvido para escutar.