Um café quente, por favor.

Frequentava a mesma cafeteria há mais de um ano, gostava do café quente e das grandes janelas de vidro, sentava sempre na mesma mesa perto da porta, onde ela podia tomar seu café sozinha e ainda poderia ficar imaginando histórias para cada pedestre que via passando pela calçada, ela carregava um Moleskine para anotar cada uma daquelas histórias inventadas.
Num dia de chuva, enquanto tomava seu café, um novo personagem virava a esquina e vinha correndo e pisando nas poças d’água pela rua, ele entrou na cafeteria, ao entrar se virou para ela e falou bom dia, ela respondeu educadamente, mas estranhou tanta educação, não estava acostumada a ser notada, mas naquele dia só havia ela no local, talvez seria por isso que ele a enxergou.
Ele pediu um expresso, pagou e foi embora. Ela ficou imaginando quem seria aquele homem, pois já estava acostumada com todos os seus personagens que passavam pela calçada, mas aquele era novo no local. Qual seria a sua história?
Teria se mudado recentemente? Ou trabalhava por perto? Seria só um acaso do destino ele entrar naquela cafeteria? O café seria para ele? Ou para outro alguém?
Sua mente borbulhava de tantas suposições, e ela anotava tudo. Gostava de controlar seus pensamentos colocando-os no papel, isso parecia dar ordem à sua mente.
Todos os dias aquele homem pedia o mesmo expresso, pagava e saía. Ela já estava acostumada e nem olhava mais para a porta quando ele entrava, porém neste dia estava tão absorta enquanto escrevia, que nem percebeu quando ele se aproximou da mesa e perguntou seu nome e se poderia sentar.
Em milésimos de segundos, sua mente criou diversas teorias, teria ele ficado curioso sobre aquela mulher que sempre estava sentada no mesmo lugar, observando e escrevendo? Ou será que ele apenas queria alguma informação? Seria um serial killer à procura de uma nova vítima? Ou será que talvez ele desconfiava que ela poderia ser uma serial killer por estar sempre no mesmo local?
Ela tentou focar seus pensamentos para então responder seu nome, e ao tirar os olhos de seu Moleskine e encará-lo, viu aqueles olhos brilhantes e um sorriso, espontâneo, sincero, quente e acolhedor como o café que tomava todos os dias, de quem realmente queria saber a sua história.
E ela fechou seu Moleskine, pela primeira vez desde quando frequentava aquela cafeteria.
