Um trincado a mais no coração não faz diferença. Será?

Como dói falar não

Carol Oliveira
Sep 1, 2018 · 3 min read

Vai soar como desabafo e de fato é, eu queria saber fazer poesia pra transformar minha dor em algo belo, mas eu não sei rimar e nem fingir que algo que machuca pode ser belo. O que tem de tão bonito em sofrer por amor, afinal?

Na verdade nem posso chamar de amor, essa palavra é muito pesada, então vamos chamar de paixão, tanto faz o nome, dói do mesmo jeito.

Eu finjo que sou desapegada, eu finjo que não ligo, eu finjo que já tô em outra, eu finjo que nem gosto tanto assim. Eu finjo pros outros, mas eu não consigo me enganar. Pode até ser que ninguém acredita em mim também, mas por pena desse coração esperançoso ninguém fala nada.

Quem eu quero enganar? Será que eu estou te enganando também, ao perder meu tempo pra escrever esse texto emotivo? Na verdade, será que você se quer liga pra tudo isso? Porque parece que eu tô vivendo essa história sozinha, deve ser isso que dói mais, estar nessa sozinha.

Se você ler, o que eu acho bem difícil, vai pensar que é drama. Talvez seja, mas tenho minhas dúvidas quanto a isso. Escrevi um texto um tempo atrás com a mesma sensação de aperto no peito e, por mais que eu tenha transformado aquele sentimento em desprezo, eu ainda tenho raiva de ter sentido tudo aquilo por uma pessoa que não ligava.

Eu engano todo mundo dizendo que peguei “ranço” quando na verdade eu escolhi sentir raiva pra tentar esquecer o que passei. E olha eu aqui de novo, sentindo quase a mesma coisa, só que dessa vez você não quer sair dessa história fadada ao fracasso.

Não sei porque continuo no mesmo ciclo, eu quero quebrar esse ciclo. Eu não quero sentir essa indiferença descendo quadrada pela minha garganta. Eu não quero ficar relendo as conversas tentando encontrar algo pra eu odiar e te esquecer mais rápido.

Eu cansei de viver dessa maneira, mas toda vez que aparece alguém que não liga pra mim lá vou eu de novo, saltitando, louca pra ganhar mais um trincado no meu coração.

Só que hoje, com uma força maior que a minha vontade de te ver, eu neguei seu convite. Apesar de tudo que te falei ser verdade, eu te disse não. E cara, como doeu! Tá doendo ainda, parece uma faca cravada no meu coração que eu não consigo arrancar ou não quero por achar que vai sangrar mais do que o normal.

Eu sei que vai continuar doendo, até eu me distrair com outra coisa ou outra pessoa. Mas até lá, vou ter que continuar te dizendo não, até se tornar algo natural pra mim, até não doer mais. Porque eu sei que se eu disser sim, vai ser ladeira abaixo.

Você é um gatilho pra minha ansiedade, e digitar essas palavras me faz sentir vontade de chorar. Preciso parar de escrever pra não correr o risco de ter que parar pra chorar enquanto encaro meu teto branco, teto esse que já viu tantas lágrimas caírem dos meus olhos cor de mel (que você nunca teve a oportunidade de descobrir de verdade que são assim).

É isso. Meu coração já não suporta mais nenhum trincado. Chega. Vou ali passar um pouco de cola nele e esperar secar. Talvez isso demore um pouco…

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Diante de tudo, escrever ainda é a melhor solução.

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