Assalto na região centro-sul

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Moradores do bairro Santo Antônio, na região centro-sul de Belo Horizonte, têm notado que o número de assaltos aumentaram. Com as ruas escuras e desertas, a partir das 19 horas, bandidos estão aproveitando da situação para poder fazer vítimas: casas são invadidas, carros arrombados e pessoas assaltadas à mão armada em plena luz do dia. Policias estão fazendo rondas constantemente a fim de protegerem os cidadãos, que reclamam da falta de segurança no bairro.

A estudante do sétimo período de Publicidade, Carolina Linhares, 20 anos vive no bairro há cinco anos e relata que no final do ano passado foi assaltada por um motoqueiro que levou-lhe o celular, ameaçando-a com uma faca. Com medo, após o ocorrido, resolveu que precisava mudar de itinerário.

SONORA: À NOITE EU EVITO SAIR SOZINHA E, A PARTIR DAS SETE DA NOITE EU TENTO DEIXAR A MENOR QUANTIDADE DE COISAS POSSÍVEIS NA BOLSA. TAMBÉM PROCURO DISTRIBUIR DINHEIRO NOS BOLSOS E LEVAR SEMPRE UM CELULAR MAIS VELHO PARA PODER TENTAR SALVAR O MEU.

Carolina, que mora sozinha há três anos, diz que para se sentir mais segura tem passado as noites na casa da avó.

SONORA: MINHA AVÓ MORA NA RUA AO LADO DE MINHA CASA E, POR MOTIVO DE SEGURANÇA, VOU MUITO PARA CASA DELA, PORQUE SE ALGO ACONTECER, PELO MENOS ESTAREMOS JUNTAS.

O investigador da Policia Civil, Rafael Mendes, 30 anos, responde pela inspetoria da primeira delegacia sul de Belo Horizonte. Para ele, a criminalidade cresce de acordo com as condições econômicas do país.

SONORA: A CRIMINALIDADE ELA CRESCE DE ACORDO COM A ECONOMIA DO PAÍS. SÃO FATORES DIRETAMENTE RELACIONADOS. EM TEMPOS DE CRISE, A CRIMINALIDADE, PRINCIPALMENTE OS FURTOS SEMPRE AUMENTAM. EU NÃO SEI LHE DIZER O QUANTO CRESCEU, MAS A GENTE, COMO POLÍCIA INVESTIGATIVA TEM PERCEBIDO QUE AUMENTOU CONSIDERAVELMENTE DE UM ANO PARA CÁ.

De acordo com o Policial, Rafael Mendes, as formas mais corretas para dificultar a ação dos assaltantes são criando obstáculos.

SONORA: AS ORIENTAÇÕES DE SEGURANÇA SÃO SEMPRE NO SENTINDO DE DIFICULTAR, CRIAR OBSTÁCULOS PARA OS LADRÕES, NÃO É? É IMPORTANTE QUE AS CASAS TENHAM ALARMES, PORTEIROS NOS PRÉDIOS, GRADES ETC. DESSA FORMA, DIFICULTAREMOS A AÇÃO DOS BANDIDOS UMA VEZ QUE ESTES PROCURAM SEMPRE O CAMINHO MAIS FÁCIL. ENTÃO, SE A CASA NÃO TIVER UM ALARME, UMA CERCA ELÉTRICA, O PRÉDIO SEM PORTEIRO, ELES VÃO DAR PREFERÊNCIA. E, NO MAIS, EVITAR OSTENTAR JOIAS, CELULARES E, ATÉ MESMO FICAR CONVERSANDO NA PORTA DE CASA. É IMPRESCINDÍVEL NÃO DEIXAR CARRO COM BOLSAS VISÍVEIS, POIS ESSAS SEMPRE SÃO ALVOS DE OPORTUNISTAS.

Para o policial, os furtos que vêm ocorrendo no bairro, têm a ver com tráfico de drogas, isto é, os pequenos delitos, como roubo de celulares, arrombamentos de carros, acontecem para financiar o vício. Já os mais elaborados como assaltos em residência são arquitetados por quadrilhas especializadas, que cometem furtos para ostentar uma vida luxuosa. Ainda de acordo com o investigador, na favela, no final do bairro, existe o problema de tráfico de entorpecentes. Assim, é comum alguns indivíduos irem até o morro do Papagaio para trocar objetos roubados por drogas. Rafael Mendes destaca que o aumento de roubos na região não tem a ver com a comunidade. 
 
 SONORA: A MAIOR PARTE DAS PESSOAS QUE MORAM NA FAVELA SÃO PESSOAS DE BEM. NÃO TENHO COMO AFIRMAR QUE SE ELA NÃO EXISTISSE, O NÚMERO DE CRIMES SERIA MAIOR OU MENOR. CONTUDO, CREIO QUE ESTÃO DIRETAMENTE LIGADOS.

— Reportagem produzida para a disciplina de Rádiojornalismo. —