Jubileu de Congonhas: uma história talhada em fé

A cidade de Congonhas, interior de Minas Gerais, realiza há mais de 200 anos o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. A festa popularizou-se por causa do Português Feliciano Mendes que chegou a Minas Gerais em busca de ouro e durante a sua estada no município, acabou por adoecer. Durante a enfermidade, fez uma promessa ao Bom Jesus, de quem era devoto, de que se conseguisse se recuperar, daria toda sua fortuna e o que fosse adquirindo em peregrinação para a construção de uma igreja igual a de sua terra natal, Portugal.Assim o fez e,em 1757, as obras do Santuário iniciam-se. Considerado como o maior conjunto barroco das Américas, em 1985, a Basílica, juntamente com os profetas, capelas dos passos e demais esculturas atribuídas a mestre Antônio Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO.

No período de 7 a 14 de setembro, a cidade recebe devotos de todo o Brasil e também do exterior para pagarem promessas ou assistirem às missas em homenagem a Bom Jesus de Matosinhos.

Além da tradição religiosa, podemos encontrar vários barraqueiros que vêm de outras localidades aproveitando-se da festa para venderem suas mercadorias.

Segundo Syllas Marinheiro, secretário da FUMCULT( Fundação Municipal de Cultura), Congonhas recebe em torno de 500 mil pessoas. “O turismo vigente é o religioso, mas há aqueles que vêm para o turismo de negócios a fim de vender roupas, calçados, utensílios, comida e até mesmo diversão, como o caso dos donos de parques.” Diz ele.

Zezeca Junqueira, 47 anos, diretor e ator do grupo teatral “Dez pras oito”, o Jubileu em si não tem uma tema específico, pois aborda o mesmo da Campanha da Fraternidade. Neste ano, por determinação do Papa Francisco, está sendo celebrado (por antecipação) o “Ano da Misericórdia”. A parte de organização de missas e confissões são de responsabilidade da Igreja Católica, já a parte burocrática é resolvido pela Prefeitura Municipal e vai desde a logística para a realização da festa até a recepção aos romeiros, e regulamentarização do comércio ambulante.

BOLIVIANA EM TERRAS TUPINIQUIM

Magdiel de Eugeni, 29 anos, boliviana residente em São Paulo desde os 13, destaca que ‘’ para expor as mercadorias tiveram que pagar mil reais por uma barraca de um metro, alvará e a instalação da luz. Ela deixa claro o descontentamento com a falta de conforto uma vez que precisam dormir dentro da barraca para tomarem conta das mercadorias.

Magdiel disse que, apesar da receptividade dos congonhenses e da festa ser uma ótima oportunidade para expor seus produtos, esperava mais “ a cidade poderia se organizar um pouquinho melhor, fazer um ginásio onde possa receber as pessoas que estão chegando de longe, um lugar para podermos fazer nossa higiene pessoal, sem ter que se preocupar com essas coisas simples.

Já para Hermes Henrique, de 61 anos, que é responsável pela barraca de doce mais famosa da festa há 48 anos, destaca “a cidade está muito bem preparada para receber os barraqueiros e sempre esteve. A cultura da festa é isso aqui, são essas barraquinhas simples feita de bambu e lona, não são as coisas sofisticadas que encontramos em outros lugares.”

Na década de 30, a Romaria foi construída para abrigar os romeiros que vinham de outras cidades e até estados diferentes para agradecer as graças alcançadas. Atualmente, ‘’Os romeiros hospedam-se nos hotéis e pensões improvisadas para este fim, neste período. Quanto aos mais necessitados, a Igreja abriga-os no “Barracão da Alegria” localizado logo abaixo da Romaria. Vale ressaltar que com a facilidade de transportes, muitos vêm e voltam no mesmo dia.” Destaca Syllas Marinheiro.

Para festa desse ano tanto os congonhenses quanto os romeiros vão encontrar mais segurança nas ruas e mais vigilantes dando apoio aos barraqueiros. Além disso,”eles poderão visitar o Museu de Congonhas, que está abrigando a exposição do Oratório de Feliciano Mendes, o idealizador da construção da Basílica do Senhor Bom Jesus e pela implantação da devoção Dele em Congonhas”. Conclui Zezeca Junqueira.