The True Cost — E o Trabalho Escravo

No mundo globalizado vivemos a época do imediatismo da necessidade de comprar tudo que está ao nosso redor, de seguir tendências, de ter um guarda-roupa lotado só para falar que temos roupa, ou dizer que não temos.

A moda nos proporciona um prazer inexplicável, a cada blusinha de dez reais comprada sentimos um sensação boa, como se realmente precisássemos dela para poder viver. Mas, você já parou para pensar quantas pessoas morreram até essa blusinha chegar em você?

Milhares de mulheres e crianças trabalham diariamente mais de 12 horas por dia em condições precárias para que roupas e mais roupas cheguem as lojas de fast fashion em tempo recorde.

A boliviana Magdiel de Eugeni, 29 anos, moradora da maior cidade do país relembra o seu primeiro trabalho em terras tupiniquins ‘’ eu cheguei em São Paulo muito nova, com treze anos comecei a trabalhar em lojas confeccionando roupas para ajudar meus pais. Nas lojas que trabalhei eles nos pagavam R$ 0,25 por short feito. Além de produzir peças eu limpava a fábrica no final do expediente, ou seja, precisava esperar que todos os funcionários fossem embora para varrer e deixar tudo pronto para o dia seguinte. As vezes saia do serviço às três horas da manhã para chegar no outro dia a seis.’’

No documentário The True Cost, conta que no ano de 2013 mais de mil pessoas morreram com o desabamento do Rana Plaza em Bangladesh. No prédio continha diversas fábricas de vestuário, banco e várias lojas. Esta mão de obra barata permite que as marcas abaixem os seus preços estimulando as pessoas a consumirem cada vez mais.

The True Cost destaca também as consequências desse consumismo desenfreado: o esgotamento dos recursos naturais, o uso de pesticidas e as sementes modificadas geneticamente para manter a produção de algodão suficiente. Sem falar da poluição, dos vários animais morrendo para você ter um casaco de pele, ou a melhor jaqueta de couro.

Para a estilista Marília Siqueira, a moda está em um momento cascata. O mercado fashion assim como os demais mercados tem tido a necessidade de reduzir os custos ao máximo. Porém as vendas estão em constante declínio em contra partida as taxas e impostos gerais são crescente. Como essa conta não fecha, a consequência é: várias empresas encerrando suas atividades, e aquelas que sobrevivem diminuem os custos onde “é possível”, material humano é uma das opções, demitindo funcionários, contratando serviços terceirizados sem nenhum compromisso ou vinculo, uma mão de obra ‘barata’.

Para controlar esse tipo de serviço terceirizado o comércio da moda está mudando o seu posicionamento no mercado ‘’ estamos vivendo uma fase de reflexão nos lançamentos de moda, o que estamos chamando de “ SIIZOM LESS” um novo conceito de lançamentos que vai na contramão deste comportamento. As marcas tendem a lançar produtos cada vez mais alinhados ao perfil de seus clientes deixando de lado o conceito ‘“coleção primavera/verão” “coleção outono/inverno”. Serão apenas coleções com uma identidade adequada ao seu público consumidor e não as tendências propriamente ditas. Ou melhor, unindo informações de tendências de moda filtradas para o perfil da marca.

Marília Siqueira conclui que para a sobrevivência das industrias e de toda a cadeia, é preciso que a venda aconteça em volumes pequenos distribuídos em diversos produtos de giro rápido no ponto e venda, porque o mercado não absorve mais o mesmo produto por mais de 15 dias . O que acaba sendo culpa dos consumidores que querem ver novidade toda vez que chega em alguma loja. Ele se deteriora perdendo o encantamento que motiva o desejo de compra, indo para a promoção o que não é interessante para a sobrevivência do negócio.