Eu assino os textos do blog com a primeira letra do meu nome, eu escolhi recentemente publicar todas essas coisas que saem de mim com a força de um parto, sob a autoria de um simples e diminuto “A”. Sim, por vezes eu me sinto diminuta, uma notinha bemol, um hiato, um solo. Por vezes eu quero mostrar apenas esse “A” que me inicia e me finaliza, escondo todas as outras vogais e consoantes que me compõem, pela insegurança dos que eu julgo conhecedores melhores dessa língua, onde eu fui fundamentada, do berço de onde vim.
Tola Ana, que se começa e se finda, por que eu acho tanto que esses tantos parecem mais simétricos do que eu? Qual o mundo que eles vivem que eu insisto em não fazer parte?
No meu mundo tem tanto riso e tantas cores, o meu mundo preenche toda a parte que poderia ser preenchida por formas aleatórias e esse universo dentro de mim me completa por inteira, tanto que eu tenho dificuldade em achar, ou aceitar, alguém que me complete melhor do que eu mesma.
Eu aprendo que tenho que me dividir às vezes, e eu aprendo que tenho que me bastar por tantas outras. Me leve o ar que respiro, me leve a noite que dança, me leve as músicas que me tocam, as cenas que eu vejo e as palavras que sentencio. Leve pra ele o amor que acredito, minha utopia, e a quem possa chegar, a utopia que transmito.