corte

não sou de vidro
mas bem que posso ser vidrada na palavra 
no canto 
no ser inabalável
no som da sua boca abrindo saindo a tua voz
que reverbera e ricocheteia o corpo em arrepio

eu não sou quebradiça
muito mais aérea
vá com calma ao pensar
ser é poder e então:
pressionar o stop e poder me contar
assim nenhum ninguém fica de cara
e não vou me largar de sentir forte
ser é viver e viver é estar
cair na sensação de vidraças cortantes renegando as indagações berrantes de tudo que é dia (e parado)
de toda hora (sem graça)

e assim sendo transparente mas forte
(só com semblante de vidro)
sabendo onde tocar
(o que a experiência vestida de mulher traja) 
deslizando longe de ninhos de cobra

assim não sou de vidro
mas sou clara e em muito reflito
em carne pó e vinho tinto
principalmente em palavras

assim a voz que sai me basta
arrepiando a pele e o corpo com simples falas

assim
deixemos um pouco de lado o fio e a navalha