British Version of Me

São inúmeros os textos que tenho feito mas tem me faltado a coragem de os partilhar.

Não sei se é por estar de volta à Tugalândia que sinto aquele conservantismo de ter uma vidinha normal, ser uma pessoa co-medida e sem a pressão de mostrar que estou a fazer qualquer coisa importante.

Sinto-me uma versão British na Tugalândia.

Não suporto as pessoas a falar alto, incomoda-me que não exista distância entre as pessoas nas filas (com tanto espaço a mulher tem de estar coladinha atrás de mim?), vejo casais aos beijos no comboio e pergunto-me senão arranjaram um quarto!

É verdade! Essas coisas que antigamente seriam normais passaram a deixar-me desconfortável.

As pessoas são rudes, não dizem obrigada ou com licença as vezes que são precisas, não sorriem tanto, gritam para o balcão para pedir uma rodada e perdem 2/3horas em refeições sentados à volta de uma mesa.

Eu sei que poucos serão os meses necessários para voltar a fazer todas essas coisas de novo mas não deixa de ser curioso que repare nelas a todo o momento.

Se o sentido prático dos portugueses me fez muita falta tantas vezes em Inglaterra, também os bons modos, o “polite” me faz um pouco falta na Tugalândia.

No último fim de semana, fui servir uns copos para ver se ainda me lembrava porque gostava do atendimento ao público.

Estendi a mão quando o chefe chegou, tentei disfarçadamente fingir que o gesto era para outra coisa (sem sucesso) e finalmente cumprimentei com dois bejinhos.

Estava a ser profissional e isso era algo que já estava intrínseco e automático no meu dia-a-dia.

Ora, fui intitulada de “tímida”.

Eu? Tímida?

Parecia uma piada. Hoje entendo que a Tugalândia vai ter de levar com a “British version of me” por uns tempos e que não vai fazer sentido para ninguém, nem mesmo para mim.

By the way, as minhas caixas de Inglaterra entretanto já chegaram. Por isso sempre é verdade que quando quiserem qualquer coisa a ser transportada de forma barata é só falar com o Sr. Ilídio.

E eu sei que não costumo publicar coisas à terça, nem é boa estratégia de marketing.

Respeitem a fase do vale tudo já que foi preciso chegar à Tugalândia para apanhar uma gripe!

Apesar disso, tenho sido bastante útil nos últimos dias.

Mesmo de Portugal consegui ajudar um pai a encontrar o filho no Reino Unido e parar de ligar ao consolado que nada podia fazer!

O lado positivo desse episódio é que esse Pai encontrou o meu número Britânico no LinkedIn e ligou-me para o Whatsapp. Faz pensar que realmente estou contactável é só as pessoas quererem!

Sinto-me um misto de nacionalidades em tudo. Comprei um número de telemóvel português mas continuo sem o activar. Paguei 10euros por ele e pensei que se fosse em Inglaterra era enviado de borla para a minha morada!

Ainda preciso do número Inglês e podem continuar a contactar-me por esse. Resultado: sim estou a enviar currículos com o número Britânico.

Nem quero imaginar a cara dos queridos que trabalham nos Recursos Humanos a olhar para o +44.

Devem pensar como farão a chamadinha para a entrevista. Amigos, é simples, o roaming terminou e a Inglaterra ainda não deu o Brexit!

Agora que já partilhei o meu desconforto já posso fazer qualquer coisa de útil, aproveitar o primeiro dia de sol desde que cheguei e fazer uma introspecção em relação ao motivo de existirem tantos brasileiros a viver em Lisboa!