Cozinhando rangos, evaporando emoções

Como toda(o) boa(bom) nerd, quando me interesso por um assunto, costumo ficar muitas horas, dias, semanas, meses ou até anos estudando sobre o assunto, por puro hobby.

É assim com a música, com meus gatos, com as séries de tv que gosto e com as histórias das minhas bandas preferidas de rock. E é assim também com a cozinha.

A gente (eu e a cozinha) não fomos lá muito amigas pela maior parte da minha vida, éramos uma montanha-russa de altos e baixos. Começamos a levantar as bandeiras brancas da paz quando eu tive um quadro acentuado de intolerância à lactose, de 2012 a 2016. A vida culinária não tinha manteiga, queijo, a maior parte dos doces de sobremesa e chocolates. E eu, tendo amigos veganos, já sabia que a cozinha não precisava ser sem graça, além de sem lactose. Então fui chegando de mansinho, fazendo um cortejo com receitas criativas aqui e ali. E assim a gente foi se aproximando. Hoje é só amor.

É interessante que os meus momentos de “baixa” na cozinha, aqueles dias que eu cozinhava sem vontade, eram os dias em que eu tava com emoções entaladas na goela. Oras, se eu já estava “cozinhando” algo dentro de mim é claro que o ato de cozinhar em si parecia dar trabalho dobrado — porque era isso mesmo.

A minha paz definitiva com os rangos maneiros começou a ter o seu caminho trilhado quando eu comecei a aprender a evaporar as emoções ao invés de cozinhá-las. A lidar com elas ao invés de guardá-las dentro de mim. Quando eu aprendi a olhar pra dentro e reconhecer o que me incomoda, consigo fazer algo a respeito. Esse algo não é colocar a culpa no outro e jogar tudo na cara. É entender porque me sinto assim. Sou eu comigo.

Quando isso acontece, fico leve de novo. E paro de descontar a raiva na coitada da cozinha. Assisto uns 450 vídeos de receitas no Youtube e vou toda faceira começar os testes. Meu hobby e o dia estão salvos!

Falando nisso, dá licença que vou ali fazer meu almoço pra amanhã :)