A compreensão da análise dos tamanhos

Ana Clara Medeiros
Sep 30 · 2 min read

Segui, sentindo revelada, tão desnuda em cima de qualquer boa pintura de Caravaggio. Foram tempos experimentais, eu abri minha boca bem grande (eu acho que foi assim) e gemi em bom som angústias, ora essa, infantis. Talvez, por analisar demais, querer escavar detritos, corações, eu tenha perdido a concepção dos tamanhos. O mundo está, pois bem então, cobertos destes, e sem menores escalas, vagamos (eu e eu mesma) no mundo. Corrigindo: sem escala nenhuma. Cavalinho cavalinho, no trote curto, outros animais escutam o relógio ranzinza, escalam paredes de nós. Deste (aqui) tapete das veias gregas, as paredes !deliciosas! !eróticas! porque preciso dizê-las, parecem menores. De qual tamanho é? De qual tamanho, cavalos do sul, é teu membro vivo? Vivo ele enxerga os tamanhos do meu dentro? Qual o tamanho dos seios de Catherine de Alexandria? Por deus, mestre, sem diminutos: qual o tamanho do esquecimento? Me perdi em alcunhas, o som é trépido. Não saber dos tamanhos por, de repente, não poder mais sabê-los é um grande pecado ao tempo. Sinto que, sem o mestre, este hermoso senhor, do relógio e de Dionísio, não poderei interpretar tamanhas grandezas. Mesmo assim, em puro atrevimento (perdão perdão perdão), se o tamanho das coisas é sempre tudo do tamanho de todas as coisas, eu devia consolar meu coração ao seu nunca para sempre?

Valha-me.

Meu gemido, ao menos, nem tamanho tem. Ele existe.

Expressão de Medusa, Caravaggio.


Ana Clara Medeiros

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“Os símbolos, como se sabe, são intocáveis”.

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