Arranco 15: Luas

Ana Clara Medeiros

Teu mistério e tua sina são sinuosos, quase redondos. Eu tinha um ardor determinado com tal presença, e os olhos passeavam por essa quase dita criatura que faz amor com Hermes. Éramos de um passado saudoso, rico de tanta troca experimental, vívida e dionisíaca, e com algo tão pífio, em um fino efeito de amor, todas as coisas são/viram nada. Tanto era a crença, não em deuses gregos, como presume o leitor que não me conhece, nem na sagrada igreja católica, mas nesse brilho novo que veio até mim como fruto de uma coincidência estudante, provinciana. O brilho da sua luz fez meu mar virar aberto e violento, remexido de desconhecido e dotado de tesouros sagrados. O brilho da sua lua cega tanto a retina que carece a riqueza dessa abstração, sendo meus olhos parte de um porto seguro, que não me foi possível enxergar as tuas outras faces.

Ana Clara Medeiros

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“Os símbolos, como se sabe, são intocáveis”.

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