Arranco 18: Não tivemos um caso

Ana Clara Medeiros
Sep 30 · 2 min read

Frustei-me com pequenas indelicadezas, Bento. Ultimamente, nada sacia meu ventre antes tão doce. Não sei porque faço questão de me retratar em cafés pouco apetitosos, aparente nem ao meu amor um caso parece repudiar efeitos. Para esclarecer, houveram casos, no plural, em que me permiti diante das diretrizes da moral e da ética a tocar almas menos receosas. Eu compartilhei livros e períodos sabáticos, devo ter tocado alguns braços tão quanto doces. Os outros que procurei me refletiam de várias formas, mas ainda desferi para ti os mesmos olhos de café. Sem ausências, não busquei as ausências deste eu e você, e sim, as tais indelicadezas; talvez seja tudo difícil demais na modernidade, e ahn, Bento, pedir perdão é a última coisa que quero fazer. Te escreverei uma carta, a confissão — que não de Lúcio — que não te importa, você salgado demais, mas não foi por ausência. Me diz, o que vai te incomodar, então? Não tivemos um caso, Bento, porque os muitos outros retratam cenas amorosas, mas típicas de minha sede. Você sou eu, Bento? Você só tem olhos para seu próprio asco. Mas não foi por suas/minhas ausências, você estava aqui demais; inteiro vazio, não me deu nada.

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Assinado, assinado e assinado.

Ana Clara Medeiros

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“Os símbolos, como se sabe, são intocáveis”.

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