Partidas

“…Cada pétala minha que ele levou para si eu as entregaria outra vez sem pestanejar. Há coisas que você sabe, não foram feitas para serem evitadas.”

Eram seis da tarde. Estava chovendo e eu não conseguia pensar em nada além de como meu dia havia sido cansativo. Mas lá estava você. Distraído, lendo um livro que de longe não reconheci, mas você parecia estar gostando.

Então você sorriu e me perguntou se estava tudo bem, enquanto eu sem perceber continuei te encarando. Corri.

Você me assustava. Quer dizer, não você, mas sim o fato de gostar tanto assim de alguém. Tudo isso era novo para mim, ainda é.

Duas semanas se passaram e cá estou, esperando por um sinal do universo ou qualquer outra desculpa que eu mesma inventei para que finalmente tivesse coragem de ir falar contigo. Então, engulo meu orgulho e corro até você. Seus olhos, ah… Como eu adoro seus olhos. Adoro o jeito que me olha tentando adivinhar o que estou pensando. Caso eu me perca, sei aonde me achar. Contigo.

Talvez não caiba dentro de mim este sentimento, talvez eu devia sair gritando aos quatro cantos o quanto te amo e sentirei a tua falta. Talvez.

Despedidas nunca são fáceis, e essa também não seria. Vá embora, mas volte quando teu coração estiver saturado de saudade, assim como o meu está neste momento.

Outro dia, num dia gostoso, nenhuma nuvem no céu, a caminho para casa começou a tocar no carro uma música que você tanto adora. Sorri involuntariamente. Entende agora? É esse sorriso que darei sempre que me lembrar de você. E não é qualquer sorriso, é aquele sorriso de: não sei por onde anda, mas torço para que esteja bem.

As noites estão sendo longas sem você, demoro a pegar no sono. Mas a gente transforma a saudade no que quiser, não é o que dizem? Uns bebem, outros escrevem, alguns choram, e eu, meu amor, sorrio. Sentimos profundamente as chegadas e partidas.

Sentirei saudades, mas não esquecerei em momento algum de que só é bom quando a gente sorri.

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