Utopia

Não, eu não te amo. Assim como você não me ama. Eu não sei quem você é, não sei de onde veio, não sei seu nome. Não me venha com mentiras baratas, nem com desculpas esfarrapadas de como nosso amor é uma obra do universo e que fomos destinados um ao outro. Não fomos.
Calma, eu sou apenas uma das muitas garotas que aparecerão na sua vida, eu não sou um troféu. Pare, deixe de choro, isso não me comove.
Dois meses. Em dois meses nos conhecemos, nos apaixonamos, nos cansamos um do outro, nos afastamos. Convenhamos, não era pra ser. Estou farta de histórias de relacionamentos que fracassaram por que ambos não tentaram o bastante, ou por que não esperaram até florir algum sentimento maior e tudo melhorar por si só. Relacionamentos foram desfeitos por falta de afeição. Apenas.
Não é justo manter alguém ao teu lado quando essa mesma pessoa não deseja isso, não é justo você perder seu tempo amando alguém que não te ama, não é justo se esforçar em ganhar a afeição de alguém mesmo sabendo lá no fundo que isso nunca vai acontecer. Não se preocupe, nem pense tanto nisso.
Pessoas vêm e vão constantemente e só nos resta lembranças, algumas boas e outras nem tanto. Assim como as pessoas, os afetos são iguais. Um dia estão conosco, no outro simplesmente não estão mais. E isso é perfeitamente normal, isso é o que chamamos de vida.
Então aqui estamos. Um dia, um ano ou até mesmo uma década antes de nos conhecermos. Você não sabe quem sou eu, e eu também não sei quem é você. Mas vamos nos conhecer. Vamos nos apaixonar. Você vai me comprar um sorvete e vai rir da minha cara quando eu derrubar algo ou até mesmo tropeçar na calçada saindo daquela lanchonete que você tanto odeia, mas que eu adoro. Mas não se engane. Não nos amaremos.