Memória olfativa. Ou afetiva.

Tenho 31 anos. E faz só 4 que aprendi a cozinhar. Quando fui morar sozinha, em outro país, me vi obrigada a fazer coisas básicas como arroz e ovo frito, passando por receitas até então complicadíssimas tipo carne de panela.

Ontem, pela primeira vez, fiz um creme de mandioquinha. Eu costumo cozinhar cremes de cenoura, abóbora, beterraba. Mas mandioquinha foi minha estréia.

É sempre complicado trabalhar com ingredientes que você não tem muito costume. “Será que escolhi bem?” “Por quanto tempo eu deixo ele cozinhando?” “E esse tempero combina?”

Eu tenho uma tática pra descobrir se estou no caminho certo da receita. Que aliás, eu nunca sigo nenhuma, porque sou aquariana e aquarianos são do contra. Bom, pelo menos é o que dizem.
Eu sempre adapto à minha maneira, com os alimentos que tem na minha geladeira. Quantidades? Faço tudo no olhômetro e fé no Pai!

Voltando à minha tática infalível. Funciona assim: se o que tá na panela tiver cheiro de casa de pai e mãe, é porque você tá no caminho certo.

Fiz isso ontem enquanto a mandioquinha cozinhava. Abri a tampa da panela pra verificar se ela estava mole e veio aquele cheirão tão característico, tão familiar.

Na mesma hora, o inconsciente me fez lembrar das tardes frias de inverno na casa da minha mãe. Lembrei de estar sentada na mesa da sala com a TV ligada na MTV, enquanto eu tentava fazer a lição de casa. Na cozinha, o barulho da panela de pressão anunciava que íamos ter uma bela sopa de legumes para o jantar. O cheiro era maravilhoso.
Que saudade, que lembrança boa!

Acordei do meu rápido devaneio e desliguei o fogo. Passei tudo o que estava na panela pro liqüidificador e bati, até virar um cremão.
Voltei pra panela, fogo baixo e fui mexendo. Provei um pouco, pra saber se os temperos estavam ok.

Mais uma vez minha tática deu certo. A sopa, que cheirava a casa de pai e mãe, estava deliciosa.