Morar sozinha.
Era uma noite meio quente, bem atípica pra época do ano. A lua tava lindona no céu, e eu estava cansada, suada, porém com uma sensação indescritível de felicidade e plenitude. Tinha acabado de fazer minha primeira aula de twerk, então a adrenalina ainda estava a mil.
No ônibus, à caminho de casa, me deu uma vontade absurda de tomar uma breja. Lembrei que ainda tinha umas 3 garrafas na geladeira, todas chilenas, que comprei da última vez que estive em Santiago, em Março.
Abri a porta do apartamento, o cachorro veio me receber todo feliz, abanando o rabo e pedindo carinho.
Tomei uma ducha rápida e coloquei o pijama mais feio, porém confortável, que eu tenho.
Liguei o Spotify e resolvi ouvir minha segunda banda favorita: Depeche Mode. Fazia alguns meses que eu não parava pra ouvir com atenção e nossa, como é bom. Como é bom quando você passa um tempo sem ouvir uma banda que curte. Parece até a primeira vez, fica aquela sensação de (re)descobrir as músicas, melodias e letras.
Abri a geladeira, morta de fome. Opa, tem uns queijos aqui. Eu sempre tenho queijos em casa. Vai que eu recebo gente, preciso ter algo pra servir.
E agora, qual cerveja vou tomar? A com chocolate ou com mel? Acho que a segunda opção combina mais com essa noite quente.
Olha, tem um salaminho ali, vou cortar umas fatias.
Montei um pratinho com tudo de gostoso pra comer, abri a cerveja e servi num copo. Dave Gahan cantava and I haven’t felt so alive in years. E naquele exato momento, esse trecho fez todo o sentido pra mim.
Levei tudo para o quarto. Sentei na cama e feliz da vida comi e bebi.
A cerveja foi fazendo efeito, o sono foi chegando de mansinho até que antes de fechar os olhos, pensei: caralho, como eu amo morar sozinha.
“Here on my own
All on my own
How good it feels to be alone
Tonight
And I haven’t felt so alive
In years
The moon
Is shining in the sky
Reminding me
Of so many other nights
When my eyes have been so red
I’ve been mistaken for dead
But not tonight”
(Depeche Mode-But not tonight)