Ânsia
Sonho com o futuro retórico, com possibilidades que nem sei se são possíveis. Respiro esperanças ilusórias de aspirações que nem sei se são para mim. Não sei o que desejo nem para quê luto. Sem direção nem destino, procuro focar meu olhar, mas, de novo, no quê? Tantas imagens e tanto para buscar. Meu ar se mistura com o medo já pastoso dificultando o próprio respirar. Como andar por aí sem ao menos saber onde vou? Será que notam minha confusão no meu andar? Sim, com certeza percebem, mas eu também percebo que vocês, hipócritas, são iguais a mim. Em meu vortex que sem querer atinge todos que aqui estão, não é suficiente para a náusea que essa realidade toca. Não me venha com suas palavras tortas de consolo se nem você consegue comprá-las. As marcas da minha pele nem de longe refletem as cicatrizes da minha alma. A dor desse estado gritando a sua capacidade de destruir, mas já destroçada não consigo levantar e ter fé para cair novamente. Sem respostas ou perspectivas continuo sem tesão nem necessidades, só pelo viver.