Caminho da fala

Sugestão musical para o texto: https://youtu.be/kOSQngZjvdc
Uma vez tive uma aula que me marcou até hoje. História do Brasil, a professora comentava sobre o (genocídio) indígena. Percebi o quanto muitas histórias são ignoradas. Nesse dia aprendi que índios não são cidadãos.
Quando falamos sobre a situação de parcelas negligenciadas da população é comum não ouvirmos elas, mas qualquer outra. Não qualquer pessoa, mas aqueles que têm poder, espaço. A fala, quase inatingível para quem precisa, é artigo de luxo, raramente dividido e caro demais para desperdiçar em assuntos considerados banais para aqueles que podem. Esses, autoproclamadis deuses, com pouca ou nenhuma saliva, acreditam piamente que podem.
A mudança nunca vem daqueles que podem, pelo óbvio motivo que eles podem.
Os falantes nunca entendem que não podem falar pelos amordaçados. E como dói o grito surdo ignorado pela própria fala. Enquanto o som alto sobrepõe, a escuridão instalada e esquecida serve. Enquanto berros são ouvidos no interior, o sangue pardo escorre surdo. A surdez seletiva sempre opta por aqueles que mais tentam.
Eu grito, mas meu grito não é o necessário.
Escutando sempre o gigante, gigante na fala e no seu. A fala não é minha nem sua. Enquanto você escuta o homem, a realidade é sufocada. Qualquer forma é escondida pelo bem da fala. A opinião do poderoso em cima até do prazer. Não fale, não é o seu lugar.