Eu sou goleira.
E eu sinto dores no joelho.
Sentada, às vezes em pé, quando faço exercícios, ela vem. Me incomoda, me faz repensar muitas coisas, me faz duvidar de mim mesma e, principalmente, dói. Ela vem pra mostrar que existe. Vem como vem um tapa na sua cara, pra te lembrar que seu corpo está ali. Presente e vivo. Sofrendo por você.
Então, eu continuo. Continuo resistindo. Vivendo e sendo lembrada de que tenho que cuidar desse corpo. É o único que tenho. E continuo jogando.
“Mas você vai jogar?”
Sim. Sempre. Nada me tira isso, nem meu joelho, nem minha cabeça, muito menos sua preocupação. Eu vou continuar. Estarei lá para fazer o meu. Para ver minha evolução, para conquistar mais. Para pegar aquela bola e extravasar tudo. Respirar minha emoção e exalar minha força.
E não venha achando que é pouca. Minha força vai além. Ela não está ali para um tapa, ela vem para derrubar e deixar você no chão. A quadra me forma para mostrar que sou muito mais. Que eu ainda tenho muito para aprender, mas que já cresci bastante. Ela mostra meu caminho, minha melhora e revela meus poderes. Inclusive fora dela.
Eu aprendi que posso ter raiva, posso gritar, posso ser forte e que sempre posso ser ainda mais. Aprendo a valorizar cada pequena conquista e a comemorar mais. Me valorizo, me reconheço, me repreendo e me amo.
Embaixo da trave é o momento de foco, de coração, de inteligência, e, acima de tudo, é o meu momento. Então pode vir dor. Pode vir bola. Pode vir o que for. Aqui é o meu porto seguro e vou fazer daqui a resposta.
