na balada com a lu

Você sabe o que é ir pra balada com uma pessoa cega? Eu sei.

R: É exatamente igual a ir pra balada com uma pessoa vidente.

Mas, para poder contar a experiência, primeiro eu tenho que apresentar os participantes.

essa é a Luísa.

25 anos, publicitária, de campinas, vidente.

eu chamo ela de Lu

essa é a Luciana.

34 anos, gestora pública, de santos, cega.

eu também chamo ela de Lu.

Um belo sábado, a gente foi pra vila madalena. E foi mais ou menos assim:

A Lu foi de metrô. A Lu também.

A Lu andou da estação fradique coutinho até o bar pau brasil. A Lu também.

A Lu bebeu. A Lu também.

A Lu pediu uma porção. A Lu também.

A Lu curtiu o samba. A Lu também.

A Lu tem um iphone. A Lu também.

A Lu usa whatsapp. A Lu também.

A Lu contou histórias do trabalho. A Lu também.

A Lu contou histórias de amor. A Lu também.

A Lu já foi minha “wing man”. A Lu também.

A Lu foi a pé para o Ó do Borogodó. A Lu também.

A Lu dançou. A Lu também.

A Lu paquerou. A Lu também.

A Lu bebeu de novo. A Lu também.

A Lu comeu um dogão depois de sair da balada. A Lu também.

A Lu dormiu na casa da Lu, e eu também.

No dia seguinte a Lu de Campinas foi de ônibus sozinha pra lá. E a Lu de Santos também.

E eu fiquei aqui pensando como foi bacana essa noite ter sido tão diferente e ao mesmo tempo tão igual a tantas outras. É claro que tinha momentos em que a Luciana precisava de um auxílio ou outro para subir/descer degrau, ou pra ler o cardápio e escolher o drink de sua preferência, mas isso era só um detalhe. A vivência em si é todo o resto. É a música, dança, cheiros, gostos, texturas, memórias.

No fim das contas acho que a Lu curtiu muito sair com a gente. E eu também.