Racismo, Classismo e Linchamento virtual

Recentemente, as cantoras Pepê e Neném fizeram um vídeo declarando apoio ao deputado Jair Bolsonaro. Uma das falas foi sobre elas não concordarem com pessoas LGBT’s demonstrando afeto em público. A matéria completa sobre isso você pode achar no Google caso não esteja por dentro dessa treta.

O que mais me incomodou nessa história toda foram as reações racistas e classistas de algumas pessoas sobre as duas artistas, principalmente algumas lésbicas brancas. Não defendo Jair Bolsonaro e muito menos concordo com a atitude das duas irmãs, mas essa questão vai muito além da superfície.

Precisamos lembrar das palavras de Paulo Freire( homão da porra) sobre o oprimido reproduzir o comportamento do opressor porque é o comportamento hegemônico na sociedade. Vivemos em uma sociedade de classes onde a classe dominante comanda tudo, ela dita as regras: desde as leis da Constituição até o nosso comportamento social.

Além do que, precisamos lembrar duas coisas: Pepê e Neném não são as opressoras, elas vacilaram como todo mundo pode vir a vacilar. Mas precisamos lembrar que a lesbianidade é vivida de diferentes formas por nós, mulheres lésbicas.
Precisamos deixar o classismos, o elitismo e o academicismo de lado e reconhecer nossos privilégios de ter capital cultural que nos permitem acessar informações e discussões que boa parte das lésbicas negras e pobres terão mais dificuldades em ter.

As lésbicas militantes/ativistas são uma bolha dentro do vasto mundo sapatão. Sabendo disso, precisamos ter o cuidado na hora de julgar outras mulheres sapatonas que podem reproduzir o comportamento do opressor. Sem contar que uma boa parte da parcela da população apoia as ideias do deputado Jair Bolsonaro, inclusive pessoas de classes mais altas. As ideias dele são apoiadas por várias questões e uma delas é a de que a maioria das denuncias contra as falas preconceituosas dele são feitas na internet e muitas pessoas ainda não tem acesso a internet. Olha mais um privilégio ai.

Acho que podemos promover o debate sobre a questão e repensar nossos privilégios ao invés de simplesmente linchar duas lésbicas negras. Não é porque você é lésbica que você ta imune de ser racista, classista, academicista, elitista, LBTfobica e outras opressões. Precisamos ter humildade e partilhar nossos conhecimentos com outras manas que não tenho acesso aos mesmos espaços que nós. Nós avançamos em comunhão e não atacando nós mesmas. A verdadeira revolução está no diálogo e não no ataque virtual. Até a próxima.