Selfie, para quem?

Estava embarcando no aeroporto de Brasília para Recife e enfrentava a fila junto com aquelas pessoas que pareciam ainda buscar algum lugar para ir antes do ano começar para valer, na tentativa de receber algumas vibrações energéticas para encarar o que viria por aí…

A fila para despachar a mala estava enorme e eu pensava o que fazia essa fila, onde os passageiros que ali estavam tinham feito o check-in automático ou pela internet, está maior do que a fila daqueles que ainda iriam fazer, pergunta que fiz ao atendente e que me respondeu, como quisesse se convencer da sua resposta: Às vezes é assim, mas nem sempre! Ah tá…(mas isso é objeto de outro post).

Então vamos lá, o que se pode aprender numa fila? Geralmente fila é um excelente lugar para interagir com o seu smartphone mandando algumas mensagens, enviando aquele email de última hora e, claro, sendo uma fila de aeroporto, tirar uma selfie para dizer ao mundo que você também está viajando para o verão!

Um jovem e bonito casal que estava a alguns passos atrás de mim protagonizou perfeitamente essa situação: eles discutiam calorosamente com algumas acusações que nos deixavam — seus espectadores — constrangidos. Mas o que mais me intrigou é que entre acusações e ofensas, resolveram tirar algumas selfies e pasmem - um sorriso maravilhoso se postou no rosto deles e a selfie foi publicada nas redes sociais, com certeza com uma legenda poderosa do tipo: “Verão aí vamos nós “, ou algo nessa toada, para que pudessem impressionar os outros espectadores virtuais. Isso é uma dicotomia da sensação que os múltiplos espectadores podem ter: uns constrangidos, os reais; outros maravilhados, os virtuais.

E para quem realmente interessa a selfie? Para quem posta acreditando que sua vida realmente é aquilo que ele faz parecer ser ou para nós espectadores que nos alimentamos da vida do outro pensando porque a nossa não é assim? Aprendi que devemos continuar dando likes, como espectadores que somos, naquilo que gostamos, mas conscientes de que os filmes e as fotos da vida podem ser ficção, realidade aumentada ou baseados em fatos reais, mas nunca serão a vida que você protagoniza todos os dias para realizar aquilo que você acredita, pois da sua vida você não pode ser o espectador e sim o personagem principal.

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