Confesso

Confesso, hoje estou nervosa. Minhas pernas tremem, meus joelhos não estão confortáveis em meu corpo, minha coluna entorta a toda e qualquer distração. Meu peito está cheio de não sei o quê, exatamente. A faringe, oh coitada, se aperta e se expande, numa tentativa de não se dissolver, na tentativa de não virar pó, quer se fazer sentir.

Confesso, estou cheia de amor, cheia de medo, cheia de desconforto, cheia de incerteza, cheia do vazio do cotidiano.Minha mente se expande e se retrai em longos intervalos. A minha respiração está sem ritmo, parece que o corpo se esquece que precisa de oxigênio. Minhas células parecem desordenadas. Tudo funciona no mais descoordenado dos governos.

Confesso, não sei o que pensar. Estou atarefada, aflita. Quero falar. Não sei quem pode me ouvir.

Confesso, meu estômago parece vazio. A água do mundo parece pouca. Minha boca está seca. Não sinto fome de nenhum tipo.

Confesso que as regras não parecem fazer sentido, não as reconheço, nenhuma delas, como naturais. Nada aqui parece real e por isso mesmo não pode ser natural, estou bem certa disso.

Talvez a única certeza é que preciso materializar as imagens que existem em minha mente. As palavras saltam, as letras estão em desordem. Sobre minha imaginação e os desenhos que ela mesma cria não se encaixam em nenhum parâmetro de clareza ou definição. Estou em absoluto fervilhar. Meus pulmões queimam junto. Tento recuperar o ar, a coluna dói. tudo dói. A dor, é a dor.

As horas, confesso, passam sem demora no relógio, mas tudo está parado, até o céu está da mesma cor que horas atrás. As horas se passam.

Preciso dizer, meu corpo perdeu o ritmo, o ar me falta. Os pulmões continuam a queimar. A coluna retrai, a dor se expande.

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