encheu ou como eu posso ser chata
Prólogo
Quando eu era criança, mais precisamente de uns 5 até os 10, 11 anos de idade, minha resposta pra fatídica pergunta “o que você quer ser quando crescer” era sempre a mesma: cartunista. Eu achava fantástico desenhar, poder contar coisas e criticar (muita ênfase nessa palavra) os acontecimentos. O poder de síntese daqueles caras que eu via nos jornais, revistas e até alguns livros que circulavam pela casa era algo incrível. Um dia, meu pai foi à São Paulo e trouxe uma revista “Bundas”. Eu fiquei maravilhada com aquilo tudo (mamai por sua vez deu um esporro em mim por ler e outro no meu pai por deixar “essas coisas” jogadas pela casa), já tinha fascinação pelo Ziraldo e aquilo tudo que vi mexeu comigo de fato — anos mais tarde conheci ele numa sessão de autógrafos num shopping e o fascínio se perdeu devido a indiferença com que o cara tratava o público, mas enfim. Os anos passaram e bom, ser cartunista se mostrou inviável porque 1)eu desenho mal pra caramba e 2)não há uma faculdade para, e numa casa de acadêmicos, não ter ensino superior é impensável. No fim acabei caindo na arquitetura nem lembro direito como e a ideia de ser cartunista ficou lá com a Ana criança que intrigava geral quando respondia sobre seu futuro.
Como eu dizia, encheu
Num mix de tempo semi-livre, tédio e saco meio cheio de tudo que tenho lido pelas redes, ouvido nas ruas e acompanhado nos últimos anos de relações interpessoais, elenquei alguns dos personagens que mais me irritam dentro de seu fanatismo e compilei não em um textão, como reza a cartilha millenial, mas então num quadrinho, tosco tal qual essa que vos escreve e sua tendência de sintetizar tudo e todos, ei-lo:

p.s. esses rabiscos martelavam na minha cabeça a meses, fico feliz que consegui jogar pro mundo.