imperativo

Ontem enquanto eu tomava banho reparei que meu lava calcinhas trazia no verso a seguinte frase “ÁGUA. PODE FALTAR. NÃO DESPERDICE.”, assim, com os pontos mesmo, em caixa alta mesmo e com um tamanho de fonte quase o dobro que o do resto das coisas escritas na embalagem.

Minha primeira reação foi mandar um “calabocameu, tu não manda em mim!”, tal qual um adolescente rebelde insubordinado pra um professor substituto. Mas aí, como meu cérebro é uma caixinha de recordações inúteis — tem as úteis também, mas essa no caso se encaixa na primeira categoria — lembrei de quando aprendi os verbos (aooow sexta série) e a professora ensinou o tal do imperativo, que imediatamente eu meus amiguinhos apelidamos de “verbos de mandar”.

Desde aquela época, os imperativos me irritam. Aquele slogan daquela rede de televisão então, quando fiquei sabendo queria mandar um INVENTE VOCÊ pro dono. Aliás, são duas maneiras que lido com ele, ou respondo VOCÊ NÃO MANDA EM MIM ou FAÇA VOCÊ. Muito adulta, concentrada e rindo sozinha da minha insubordinação a um conjunto de palavras. Um clássico que faço nessa época de redes sociais é responder o “leia mais” em postagens, às vezes digitando um ME OBRIGUE, simplesmente pra rir mesmo.

Envolta em todas essas reminiscências ri sozinha, terminei o banho e vi novamente o verso do lava calcinhas e a frase em destaque. Talvez os caras tenham razão em colocá-la lá porque, nesse rolo todo, acho que meu banho durou uns 4 minutos a mais.

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