Viajar em tempos de terrorismo

“Viver é muito perigoso”, dizia o grande Guimarães Rosa na obra-prima “Grande Sertão: Veredas”. E eu complemento “a gente vive mesmo é de teimosia”. Viajamos sozinhas, ousamos sair do nosso quadrado, desbravamos territórios, enfrentamos machismo, preconceito racial, violência urbana, vírus da zika e até ameaça terrorista.

Os tempos bicudos são amplificados pela cobertura digital e em tempo real de todas as tragédias do mundo. O sentimento coletivo quer nos convencer de que colocar o nariz para fora de casa é perigoso e fatal. Em nome da paranóia estabelecida, sonhos de viagens são adiados, engavetados e cancelados. A emoção grita muito mais alto do que a razão.

Muita gente confunde a probabilidade de um atentado terrorista com a probabilidade de ser vítima de um atentado terrorista. Existe a probabilidade de novos atentados terroristas na Europa nos próximos 12 meses? Sim. E a probabilidade de ser vítima de um atentado terrorista? Praticamente inexistente.

Os números não mentem. Temos mais chance de morrer em um acidente de carro, atravessando a rua ou com um raio na cabeça do que ser vítima de terrorismo. A psicologia nos ensina que tememos o que não nos é familiar e o que não podemos controlar. Isso explica o pavor que muitas pessoas tem de voar, mesmo provado por A mais B que o avião é um dos transportes mais seguros que existem. Medos irracionais. Medos que paralisam. Medos que roubam sonhos.

A solução? Mais lógica e menos histeria. Não somos reféns de nada e nem de ninguém. Parafraseando Caetano e Gil, “é preciso estar atenta e forte, não temos tempo de temer a morte”. O show tem que continuar. Um brinde às nossas viagens!