Se você fosse para uma ilha deserta, o que levaria?

Ou: uma conversa sobre a vocação

A pergunta é clichê, mas ela sempre foi interessante o suficiente para me incomodar bastante. A proposta de delimitar quais são os objetos mais importantes na minha vida a ponto de eu só poder levar eles para uma ilha deserta é ousada demais. Se eu precisasse mesmo fazer isso, provavelmente afundaria na dúvida eterna.

Uma pergunta substituta mais plausível e menos insólita seria:

Quais são as três coisas que você não conseguiria viver sem?

Ainda capciosa, ainda difícil, ainda relativa. Comida, sexo, oxigênio, água e cuidados médicos deveriam ser itens já garantidos nesse contexto, obviamente.

Depois dealgumas reflexões, minhas respostas seriam:

  1. Pessoas para conversar;
  2. Livros;
  3. Algo com o qual escrever (computador ou canetas & cadernos).

De que forma eu viveria sem essas três coisas? Nem sei dizer.

Viver sozinha, emocional ou fisicamente, deve ser horrível. Que os caminhos da vida e o meu próprio bom senso me impeçam de cair nessa areia movediça. O meu trabalho é caseiro, intelectual e silencioso por natureza, mas se eu passar mais de dois dias sem alguma interação significativa com outras pessoas, algo parece estar errado.

Gosto de conversar com pessoas novas, puxar assunto em ônibus e, numa mesa de bar, fazer com que as pessoas deslocadas se sintam mais à vontade. Não sou uma exímia interlocutora e tampouco tenho um dom natural para a extroversão, mas preciso me comunicar tanto quanto preciso respirar. Esses dois hábitos são gêmeos siameses e não pode existir um sem o outro.

Ler livros e escrever talvez sejam os outros dois hábitos mais fundamentais da minha breve existência. Eles nasceram na minha infância e estão comigo até hoje, depois de mais de vinte anos de altos e baixos. Apesar de algumas traições pontuais e discussões feias, o nosso relacionamento continua ardente. Eu precisaria de um texto relativamente grande para explicar o meu fascínio pelos livros, mas por enquanto é suficiente dizer que eles são a forma de magia mais rápida, eficaz e humana que eu conheço.


As respostas de cada um seria tão diversa e infinita quanto as estrelas que existem no céu e, ainda assim, todas elas revelariam algo muito importante: a essência de cada um. Lá no fundo, depois de toda a bagunça da rotina, nós temos alguns rituais de sorte autoimpostos a seguir. Lá no fundo, nós precisamos recorrer ao que é mais confortável, mais leve, mais natural e menos venenoso para nós mesmos. Lá no fundo, se olharmos com honestidade, vamos encontrar a nossa própria vocação.


E você?
O que você levaria para uma ilha deserta?
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